CryptoQuant: alta do petróleo pressiona Bitcoin abaixo de US$ 63 mil

  • Brent avança mais de 10% em dois dias após ataques entre EUA e Irã
  • CryptoQuant vê padrão histórico de queda do Bitcoin quando petróleo dispara
  • Bitcoin recua 6% na semana e testa suporte próximo de US$ 62.700

O salto recente do petróleo Brent voltou a acender sinal amarelo para investidores de bitcoin. Nos últimos dois dias, o contrato subiu mais de 10% em meio à escalada militar entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz. No mesmo período, o Bitcoin recuou quase 6% e opera agora a US$ 62.690 (R$ 323.248), segundo cotações desta quarta-feira.

A análise vem da CryptoQuant, assinada pelo pesquisador Darkfost. Ele observa que, sempre que o Brent negocia acima da média móvel de 365 dias, o mercado costuma entrar em regime de estresse econômico. Inflação em alta, crédito mais caro e crescimento menor formam o pano de fundo típico — combinação ruim para ativos de risco.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Padrão histórico se repete desde 2018

Assim, o comportamento não é inédito. Em 2018, com o Brent acima da média anual, o Bitcoin desabou quase 80%, saindo da região de US$ 17 mil para menos de US$ 3.500. Já em 2022, o barril ultrapassou US$ 120 após a invasão russa da Ucrânia. No mesmo intervalo, o BTC caiu de cerca de US$ 48 mil para abaixo de US$ 16 mil — perda superior a 65%.

O último episódio ocorreu no fim de 2024. Uma nova rodada de alta do Brent coincidiu com a perda de momento do Bitcoin logo depois de o ativo cravar máxima histórica em outubro de 2025. “Quando o preço do Brent começa a subir de novo, é sinal de que a música está parando”, escreveu Darkfost, sugerindo desaceleração do ciclo de alta.

Além disso, a leitura conversa com outros indicadores on-chain publicados pela mesma consultoria. Métricas como o NUPL do Bitcoin apontam que a rede ainda não teria encontrado fundo, reforçando a tese de que a correção atual pode ter mais espaço para descer antes de uma retomada consistente.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Trump fala em acordo e BTC devolve parte das perdas

assim, o quadro mudou de tom nesta quarta. Um dia após a nova troca de mísseis, o presidente Donald Trump afirmou a repórteres que o Irã quer negociar. “Eles querem fechar um acordo. Querem muito”, disse. Ainda assim, o americano demonstrou desconfiança: “Não sei se vale a pena o acordo; não sei se vão honrar”.

A reação foi imediata. O Brent recuou cerca de 2%, para perto de US$ 72 por barril. O Bitcoin devolveu parte da queda e sobe 1% nas últimas 24 horas. Movimentos semelhantes já haviam sido observados na semana, quando o BTC perdeu US$ 63 mil e liquidou US$ 450 milhões em posições alavancadas após declarações anteriores de Trump sobre o conflito.

Compartilhe este artigo
Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
Sair da versão mobile