Dificuldade do Bitcoin sobe 7,15% e aperta mineradores

  • Dificuldade do Bitcoin sobe 7,15% no bloco 955.584 e atinge 133,87 trilhões
  • Hashprice cai para US$ 28,68 por PH/s, queda de 18,34% em 30 dias
  • Hashrate segue perto de 984 EH/s mesmo com BTC 51% abaixo da máxima

A rede do Bitcoin apertou o cerco contra os mineradores. No bloco 955.584, registrado em 26 de junho de 2026, a dificuldade de mineração subiu 7,15% e alcançou 133,87 trilhões. É o segundo maior reajuste positivo do ano, vindo logo depois de uma queda de 10,09% na época anterior.

O movimento ocorre no pior momento possível para quem opera máquinas ASIC. O preço do BTC negocia em US$ 60.440, equivalente a aproximadamente R$ 312.764, com queda acumulada de 43% nos últimos 12 meses e 51% abaixo do topo histórico acima de US$ 126 mil. Para o minerador, é menos receita por bloco encontrado e mais esforço computacional para encontrá-lo.

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Fonte: coinmarketcap

Hashprice em queda livre derruba margens

O indicador mais sensível dessa equação é o hashprice, que mede a receita esperada por petahash por segundo (PH/s). O número caiu para US$ 28,68, contra US$ 35,12 registrados em 27 de maio. Recuo de 18,34% em apenas 30 dias.

A combinação é cruel, preço do ativo em baixa, dificuldade em alta e taxas de transação modestas. Quem opera com energia cara ou hardware antigo está no vermelho. Mineradores com contratos flexíveis de eletricidade, gás natural barato ou frota de máquinas recentes ainda conseguem espremer lucro. Os demais queimam caixa todo dia.

Mesmo assim, o hashrate global se recusa a desabar. A medição mais recente coloca a rede em 984 EH/s, praticamente na faixa dos 1.000 EH/s. Desde os topos de 2025, o poder computacional anda de lado, sem o colapso que muitos esperavam diante da contração de margens.

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Por que mineradores não desligam as máquinas

A lógica por trás dessa resistência envolve capital afundado. Galpões alugados, contratos de energia firmados e ASICs já depreciados não desaparecem se a máquina for desligada. Encerrar a operação significa abrir mão de qualquer recuperação cíclica futura, de eventual alívio na dificuldade quando concorrentes saírem e da chance de acumular BTC a preços considerados baratos pela tese de longo prazo.

Os números de 2026 ajudam a contar essa história. Foram 13 ajustes de dificuldade no ano, com 7 reduções contra 6 aumentos. A soma das quedas atingiu -38,22%, enquanto os reajustes positivos totalizaram +31,04%. Ou seja, mesmo nas quedas cumulativas o saldo do ano permanece ligeiramente negativo, indicando que parte dos mineradores realmente capitulou.

Mineradoras listadas em bolsa sentem o golpe

Empresas de capital aberto como Marathon, Riot e CleanSpark divulgam métricas mensais. Quando o hashprice cede quase 20% em um mês, o efeito direto aparece nos balanços trimestrais receita por terahash em queda e custo de produção por BTC em alta. Algumas dessas mineradoras passaram a vender quase toda a produção mensal para cobrir despesas operacionais, em vez de acumular como faziam em 2023 e 2024.

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O efeito também respinga em players brasileiros. Empresas locais que tocam pequenas operações de mineração ou intermedeiam contratos de hashrate enfrentam margens pressionadas, ainda mais com o dólar a R$ 5,1690, o que encarece a aquisição de equipamentos importados. Quem opera no Brasil sem hidrelétrica dedicada ou energia industrial subsidiada simplesmente não fecha conta.

O cenário também conversa com o ambiente macro. O PCE em 4,1% reabriu a porta para juros maiores nos EUA, e a possível alta de juros do Fed em 2026 aperta ainda mais o financiamento de mineradoras endividadas. Há projeções como a do minerador chinês que vê fundo entre US$ 42 mil e US$ 44 mil, faixa em que boa parte dos operadores marginais seria forçada a desligar.

Protocolo segue indiferente ao sofrimento dos mineradores

O Bitcoin não responde a margens nem a preço. O algoritmo apenas conta blocos e ajusta o alvo a cada 2.016 unidades. Quando Satoshi minerou o bloco gênese em 2009, bastavam cerca de 8 zeros à esquerda em hexadecimal para validar um hash. Hoje, com dificuldade em 133,87 trilhões, são necessários aproximadamente 22 zeros. Cada zero adicional torna a busca exponencialmente mais difícil o alvo encolhe por um fator de 16 a cada incremento. Dados oficiais podem ser conferidos no Hashrate Index, que rastreia em tempo real os indicadores da rede.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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