- Mercado cripto perdeu 15,21% em cinco dias e apagou ganhos de maio
- DonAlt só volta a comprar se Bitcoin fechar a semana acima de US$ 71 mil
- ETFs spot de BTC, ETH e XRP voltam a registrar entradas líquidas
O início de junho de 2026 derrubou de vez o fôlego que o mercado de criptomoedas havia recuperado em maio. Em apenas cinco pregões, a capitalização total do setor recuou 15,21%, o XRP perdeu 16,99% e o Bitcoin caiu 17,78%. A correção pegou em cheio investidores que apostavam em continuidade do movimento de alta e devolveu o mercado a patamares vistos antes do ralí da primavera norte-americana.
É nesse contexto que ressurge a voz de DonAlt, analista que ganhou status de oráculo no fim de 2024 ao cravar a disparada de 700% do XRP, de US$ 0,50 para US$ 3,50. Hoje, com aquele lucro praticamente devolvido ao mercado, o trader diz que o sentimento bateu no fundo e que a cripto perdeu a simplicidade que tinha em ciclos anteriores.
Sentimento no fundo e mercado mais complexo
Para DonAlt, o problema central é o desvio de foco. O dinheiro deixou de rotacionar entre setores do próprio ecossistema e passou a depender de ruído corporativo, centenas de ETFs, mesas de derivativos sobrecarregadas e, agora, o risco de exploits em contratos inteligentes descobertos por inteligência artificial.
O analista lembra que cripto historicamente cresceu por crença no ativo, não por fundamento contábil. Com a entrada pesada de Wall Street, essa lógica se inverteu. O varejo passou a competir com fluxos institucionais que reagem a métricas como prêmio de futuros, taxas de juros e relatórios de captação, tornando o carregamento de posições mais perigoso do que em ciclos anteriores.
A leitura conversa com o que se observa no mercado brasileiro. Exchanges brasileiras registraram mais saques em stablecoins, enquanto traders reduziram exposição direta a criptomoedas. O movimento espelha o de fundos americanos e mostra que o investidor brasileiro também ajusta postura conforme o termômetro de risco global se deteriora.
Colapso do Zcash acende alerta sobre IA
O exemplo mais recente da nova fonte de risco veio do Zcash. Uma vulnerabilidade crítica no pool Orchard, identificada com auxílio do assistente Claude, da Anthropic, derrubou o ZEC em 48,4% em um único pregão. Para DonAlt, comprar a queda do projeto está fora de cogitação porque não há trajetória clara de reconstrução da confiança no código.
O caso reforça uma tendência incômoda, ferramentas de IA hoje aceleram auditorias, mas também aceleram a descoberta de falhas exploráveis. Para entender o tamanho do estrago no Zcash, vale revisitar a análise da falha no Orchard, que mostrou como um bug permitiria emissão infinita de ZEC.
ETFs voltam a captar após dias de saídas
O único fator estabilizador veio dos fundos americanos. Após sequências longas de resgates, os ETFs spot quebraram a maré negativa. Os produtos de Ethereum atraíram US$ 19,30 milhões depois de 17 dias seguidos de saques. Os ETFs spot de Bitcoin registraram modestos US$ 3,04 milhões em entrada líquida após 13 sessões no vermelho, e os fundos de XRP fecharam com simbólicos US$ 3,83 milhões.
Os números são tímidos diante das perdas acumuladas, mas indicam que mesas institucionais começaram a testar o fundo. A tendência também se reflete em projeções estruturais como a da Grayscale para os ETFs de XRP, que projeta absorção de até 6% da oferta circulante no médio prazo.
DonAlt fixa gatilho em US$ 71 mil para Bitcoin
Mesmo com Wall Street experimentando comprar a queda, DonAlt mantém o caixa parado. O trader retomará posições completas apenas se o Bitcoin encerrar a semana acima de US$ 71 mil.
O BTC está negociado a US$ 61.900 (R$ 315.720), com queda de 2,3% em 24 horas. O XRP cotava US$ 1,12 e o ETH, US$ 1.664, recuo de 6,3% no dia.
