- Pandl projeta ETFs de XRP detendo entre 5% e 6% da oferta circulante
- Produtos somam US$ 1,42 bilhão em entradas líquidas desde o quarto trimestre de 2025
- Bitwise lidera com US$ 467,3 milhões; Grayscale GXRP aparece em quarto lugar
O chefe de pesquisa da Grayscale, Zach Pandl, projetou que os ETFs à vista de XRP nos Estados Unidos podem reunir entre 5% e 6% da oferta circulante do token nos próximos meses. A estimativa, divulgada no Paul Barron Podcast, coloca esses produtos em um patamar de holdings comparável ao dos fundos de Bitcoin e Ethereum negociados em Wall Street.
O número parece técnico, mas tem efeito prático imediato sobre o livro de ofertas. Hoje, o XRP é negociado a US$ 1,17 (cerca de R$ 5,99), em queda de 4,2% nas últimas 24 horas. A capitalização do ativo está em torno de US$ 71,2 bilhões, e os ETFs concentram aproximadamente 1,4% desse total. Sair desse patamar para 5% ou 6% significaria retirar bilhões de dólares em tokens do mercado à vista.
Bitwise lidera e Grayscale fecha o pelotão
Desde o lançamento dos produtos no quarto trimestre de 2025, o setor acumula US$ 1,42 bilhão em entradas líquidas. O ETF da Bitwise domina com US$ 467,3 milhões captados, seguido pelo XRPC da Canary Capital, com US$ 458 milhões, e pelo XRPZ da Franklin Templeton, com US$ 392,18 milhões. O GXRP, da própria Grayscale, aparece em quarto, com US$ 129 milhões.
O total sob gestão, que chegou a US$ 1,1 bilhão, recuou para US$ 1,03 bilhão na esteira da correção recente do token. Mesmo assim, os fundos de XRP foram o único segmento de cripto a registrar entradas no início da semana, enquanto ETFs de Bitcoin e Ethereum amargaram saques. Esse fluxo divergente é o que sustenta a tese de Pandl. Para ele, o XRP tem se comportado como ativo de diversificação dentro de carteiras cripto, com correlação inferior à dupla BTC-ETH.
Conta aponta para 3,7 bilhões de tokens nas mãos dos fundos
A matemática por trás do número é direta. Com 61,97 bilhões de XRP em circulação, uma fatia de 5% a 6% significaria entre 3,1 bilhões e 3,7 bilhões de tokens travados em estruturas reguladas. Pelo preço atual, isso equivale a algo entre US$ 3,5 bilhões e US$ 4,2 bilhões em ativos sob custódia três a quatro vezes o tamanho atual do segmento.
Pandl frisou que se trata de um piso, não de um teto. A escolha de 5% a 6% replica a participação que os ETFs de Bitcoin e Ethereum hoje detêm sobre suas respectivas ofertas. Segundo o executivo, a demanda inicial por XRP indica potencial de crescimento adicional caso o interesse institucional continue.
Liberação mensal da Ripple complica equação de oferta
Há, porém, um contrapeso pouco mencionado pelo executivo da Grayscale. A Ripple libera 1 bilhão de XRP por mês do escrow, o que injeta oferta nova justamente no momento em que os ETFs tentam absorver tokens do mercado secundário. Para o investidor brasileiro que monta posição em XRP via exchanges locais como Mercado Bitcoin e Foxbit, essa dinâmica importa, o efeito de escassez prometido pelos fundos compete com a esteira programada de emissão da emissora.
O contexto regulatório também ajuda. A SEC colocou ativos digitais como prioridade estratégica até 2030, e a Ripple ampliou sua presença em Washington para influenciar a próxima onda de regras. Esse cenário levou gestores como Bitwise e Franklin Templeton a acelerar produtos ligados ao XRP recentemente.
Na entrevista, Pandl reforçou que a projeção considera o agregado de todos os ETFs de XRP, não cada produto isoladamente. Ele citou ainda que a aparição no podcast serviu para comparar o ritmo de adoção dos três principais segmentos de cripto regulados nos EUA.
