- ETFs à vista de Bitcoin captaram US$ 487 milhões em duas sessões após 10 dias de saques
- Coinbase Premium segue negativo há 50 dias e sinaliza demanda spot fraca nos EUA
- Demanda aparente do BTC está em -75 mil moedas, longe da zona de acumulação
Os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos captaram cerca de US$ 487 milhões em duas sessões de negociação, encerrando uma sequência de dez pregões de saques que havia drenado aproximadamente US$ 2,73 bilhões dos produtos. O movimento marca o primeiro par de dias consecutivos com entradas líquidas desde maio.
No dia 2 de julho, os fundos receberam US$ 221,72 milhões. Após o feriado da Independência dos EUA, em 6 de julho, mais US$ 265,69 milhões entraram nos produtos. A reação, porém, ainda não se traduziu em confirmação de demanda no mercado à vista.
O Bitcoin é negociado a US$ 61.980, com queda de 1,75% em 24 horas. Em reais, a cotação está em R$ 318.657. O ativo acumula alta em torno de 7% no mês, mas perdeu fôlego nas últimas sessões.
Coinbase Premium negativo há 50 dias
O Coinbase Premium Index, indicador que mede a diferença de preço do Bitcoin entre Coinbase e Binance, permanece no vermelho há 50 pregões consecutivos, segundo dados da Coinglass. O índice serve como termômetro da demanda de investidores baseados em dólar, já que a Coinbase concentra o fluxo institucional americano.
Leitura negativa significa que o Bitcoin está mais barato na Coinbase que na Binance. Ou seja, compradores domésticos dos EUA não estão pujantes como traders offshore. O sinal contradiz a leitura otimista dos fluxos recentes de ETFs.
O analista Axel Adler, da CryptoQuant, classifica o mercado como “risk-off”. Segundo ele, a atividade fraca no Coinbase Advanced e a ausência de reversão consistente no momentum reforçam que a pressão vendedora persiste nos EUA. Historicamente, altas sustentadas do Bitcoin coincidem com compras casadas em ETFs e mercado à vista combinação que ainda não apareceu.
Demanda aparente segue em 75 mil BTC negativos
A demanda aparente do Bitcoin, métrica da CryptoQuant que compara emissão nova com mudanças no supply parado há mais de um ano, está em cerca de -75.000 BTC. Melhorou frente aos -275.000 BTC registrados em 3 de junho, pior nível do ano, mas segue distante da zona positiva que caracteriza acumulação real.
O indicador precisa cruzar para o campo positivo e permanecer lá para sinalizar reversão estrutural. Enquanto isso não ocorre, a alta do BTC depende mais de fatores técnicos cobertura de vendidos, liquidez rala do verão americano, alívio macro do que de compra genuína.
Outro sinal amarelo vem das reservas de Bitcoin em exchanges centralizadas. Joao Wedson, CEO da Alphractal, aponta que o saldo em corretoras voltou a crescer e que a variação de 180 dias caminha para se tornar positiva. Historicamente, saques sustentados de exchanges indicam acumulação de longo prazo; balanços crescentes sugerem oferta disponível para venda.
Wintermute vê relief rally e não nova tendência
A Wintermute classificou o avanço recente como um típico relief rally. A mesa de negociação cita condições macro mais brandas, tom levemente dovish do Federal Reserve, redução das tensões no Oriente Médio e liquidez rarefeita do verão nos EUA como catalisadores pontuais não como base para uma virada de ciclo.
Já a BlockScholes destacou que seu Risk Appetite Index, aplicado a Bitcoin, Ethereum e Solana, caiu para -1,27 em 3 de julho antes de reagir. O indicador ficou abaixo de -1,2 apenas oito vezes na história, com ganho mediano de 12% nos 100 dias seguintes. É um argumento tático para os comprados.
Para o investidor brasileiro, o quadro pede cautela. As saídas recordes do primeiro semestre foram parcialmente estancadas, mas a leitura on-chain e o NUPL destacado pela CryptoQuant ainda apontam ausência de fundo confirmado. No mercado local, o real a R$ 5,1615 amplifica a volatilidade percebida em BRL cada 2% de queda no dólar do BTC vira uma oscilação maior no preço em reais para quem acompanha exchanges como Mercado Bitcoin e Foxbit.
IBIT da BlackRock ainda lidera fluxo
O retorno dos ETFs ao azul foi puxado principalmente pelo IBIT da BlackRock, que segue como principal canal de demanda institucional regulada. Sem repetição do padrão nas próximas sessões, retorno do Coinbase Premium ao positivo e queda das reservas em exchanges, a leitura estrutural do Bitcoin continua vinculada a posicionamento tático não a compra convicta.
