- ETFs de Bitcoin perdem US$ 70,47 milhões e somam US$ 1,34 bilhões em quatro dias
- BlackRock IBIT lidera com saque de US$ 61,45 mi; Fidelity FBTC perde US$ 10,12 milhões
- Ether ETF cai US$ 28,14 mi no oitavo pregão negativo seguido puxado por ETHA
O sangramento nos ETFs de Bitcoin à vista listados nos Estados Unidos entrou no quarto dia consecutivo. Na quarta-feira, os fundos registraram saída líquida de US$ 70,47 milhões, levando o acumulado da sequência negativa a US$ 1,34 bilhão. O número é menor que os saques observados nos pregões anteriores, mas confirma o tom defensivo do investidor institucional.
A BlackRock seguiu no centro da retirada. Seu fundo IBIT respondeu sozinho por US$ 61,45 milhões em resgates mais de 87% do saldo negativo do dia. A Fidelity, com o FBTC, somou outros US$ 10,12 milhões em saídas. Do lado positivo, apenas o MSBT do Morgan Stanley apareceu, com tímidos US$ 1,11 milhão em captação.
Apesar do humor azedo, o giro permaneceu robusto. O volume negociado nos ETFs de Bitcoin alcançou US$ 1,36 bilhão no pregão, e o patrimônio líquido total subiu marginalmente para US$ 101,12 bilhões, ajudado pela leve recuperação do preço do ativo subjacente.
Ether ETF amplia sequência negativa para oito dias
O quadro nos ETFs de Ether é ainda pior em duração. A categoria fechou o oitavo pregão seguido no vermelho, com saída líquida de US$ 28,14 milhões. O ETHA, também da BlackRock, foi novamente o vilão, perdendo US$ 30,94 milhões. O FETH da Fidelity contribuiu com mais US$ 1,60 milhão em resgates.
Um detalhe chama atenção dentro da própria gestora, enquanto o ETHA sangra, o ETHB, produto irmão da BlackRock voltado a estratégias diferenciadas em Ether, captou US$ 4,39 milhões. O volume total negociado em ETFs de ETH ficou em US$ 350,41 milhões e o patrimônio agregado encerrou em US$ 12,24 bilhões. O movimento converge com a deterioração técnica recente do ativo, comentada em projeções para o Ethereum.
A leitura para o investidor brasileiro é direta. Bovespa e Mercado Bitcoin não têm produto equivalente ao IBIT com a mesma profundidade, mas o ETF QBTC11, da QR Asset, costuma replicar o fluxo americano com defasagem de 24 horas. Quando a BlackRock vende, o reflexo aparece no book das exchanges locais geralmente via spread alargado no par BTC/BRL.
XRP segue captando e Solana trava
Fora do eixo BTC-ETH, o comportamento foi distinto. Os ETFs de XRP registraram entrada líquida de US$ 1,45 milhão, integralmente atribuída ao fundo XRPC, da Canary. Pequeno em valor absoluto, o número estende para cinco pregões consecutivos a sequência positiva da categoria, que acumula patrimônio de US$ 1,13 bilhão e movimentou US$ 11,25 milhões no dia.
Já os ETFs de Solana não tiveram fluxo nenhum na sessão. O patrimônio ficou estacionado em US$ 976,81 milhões, indicando pausa após várias semanas de captação consistente. A inflexão coincide com a piora dos indicadores de derivativos do ativo, refletida no funding rate negativo de SOL nas principais corretoras de futuros.
Hyperliquid rouba a cena entre os estreantes
A novidade está nos ETFs spot de HYPE, da Hyperliquid, recém-lançados nos EUA. Os produtos atraíram US$ 25,46 milhões apenas na quarta-feira e já somam quase US$ 50 milhões em seis pregões. O ritmo de captação superou o de BTC e ETH em três dos seis dias iniciais, conforme detalhado em cobertura sobre os ETFs de HYPE.
O contraste é eloquente. Os dois maiores ativos do mercado sofrem distribuição contínua, enquanto produtos voltados a ativos menores XRP e HYPE abocanham alocações dirigidas. Vale acompanhar o dado oficial da emissora no site do iShares Bitcoin Trust para confirmar movimentações de cota a cota.
A moderação no ritmo de saída do IBIT, caindo de centenas de milhões nos dias anteriores para US$ 61 milhões agora, pode indicar exaustão vendedora. Mas a quebra dessa sequência exige um pregão de entrada líquida coisa que o mercado ainda não viu.
