- ETFs à vista nos EUA somam US$ 134,4 milhões em dois pregões de outubro
- Economia americana criou apenas 29 mil vagas em setembro, com desemprego em 4,2%
- Traders da Myriad veem 93% de chance de BTC não renovar máxima em 2026
Outubro começou no azul para os fundos de Bitcoin negociados em bolsa nos Estados Unidos. Os ETFs à vista captaram US$ 102,7 milhões na quinta-feira e mais US$ 31,7 milhões na sexta, somando US$ 134,4 milhões em entradas líquidas nos dois primeiros pregões do mês.
A virada veio logo depois de um tropeço. Em 30 de setembro, os mesmos fundos perderam US$ 148,7 milhões, encerrando uma sequência de nove sessões consecutivas de captação iniciada em 17 de setembro.
Mesmo com o revés de fechamento, setembro terminou como o segundo melhor mês desde outubro de 2025, com US$ 2,65 bilhões em entradas líquidas, segundo levantamento da SoSoValue.
Emprego fraco derruba aposta em alta de juros para 14%
O relatório de emprego divulgado na sexta-feira mexeu com o apetite por risco. A economia americana gerou apenas 29 mil vagas em setembro, e a taxa de desemprego subiu para 4,2%, de acordo com o Bureau of Labor Statistics.
A reação foi imediata no mercado de juros. As probabilidades de uma alta de taxa em outubro, medidas pela ferramenta CME FedWatch, despencaram de 70% no início da semana para 14% após o número.
Mercado de trabalho mais frouxo significa menos pressão sobre o Federal Reserve para apertar a política monetária. Historicamente, esse cenário tende a beneficiar ativos de risco — e o Bitcoin se encaixa nessa categoria aos olhos dos alocadores institucionais.
Stephen Wundke, da Algoz, resumiu o humor atual: “Os traders sentem que há mais espaço de alta do que de queda neste momento”. O termo “Uptober” virou apelido do mês pela média de ganho de 18% registrada pelo BTC em outubro ao longo da última década.
BTC roça US$ 87 mil e devolve parte dos ganhos
O ativo chegou a testar US$ 87.173 na sexta-feira, a poucos dólares da máxima de setembro, cravada em US$ 87.354. O avanço não se sustentou. Neste domingo, o Bitcoin é negociado perto de US$ 85.325, alta de 0,6% em 24 horas — cerca de R$ 445,5 mil na conversão pelo dólar a R$ 5,2214.
A barreira dos US$ 87 mil já foi testada e rejeitada duas vezes em menos de duas semanas. Para quem acompanha análise técnica, esse padrão costuma indicar oferta concentrada na região, e não falta de demanda — detalhe que aparece em nossa leitura sobre as barreiras rumo aos US$ 90 mil.
Desde o lançamento, os ETFs americanos acumulam US$ 58,1 bilhões em captação líquida, com US$ 101,1 bilhões em ativos sob gestão. O número impressiona em termos absolutos, mas esconde um dado desconfortável: o saldo de 2026 segue abaixo de US$ 1 bilhão, resultado das fortes saídas registradas no primeiro semestre.
Traders da Myriad apostam 93% contra nova máxima em 2026
Nem todo mundo compra a narrativa sazonal. No mercado de previsões Myriad, os apostadores atribuem 93% de probabilidade de o Bitcoin não registrar novo recorde histórico até o fim de 2026.
É um contraste relevante. De um lado, fluxo institucional voltando e macro mais favorável. De outro, participantes diretamente expostos ao risco precificando continuidade da lateralização.
Dois eventos devem definir o rumo das próximas semanas: o índice de preços ao consumidor dos EUA referente a setembro, agendado para 14 de outubro, e a reunião do Fed marcada para o dia 28.
Investidor BR ainda não tem acesso direto aos fundos americanos
No Brasil, o acesso a esses produtos continua indireto. O investidor local compra BDRs lastreados nos ETFs americanos ou recorre aos fundos listados na B3, que seguem com liquidez bem inferior.
Há ainda o efeito câmbio. Com o dólar em R$ 5,2214, variações do BTC em moeda americana chegam amortecidas ou amplificadas ao bolso brasileiro, dependendo da direção do par USD/BRL.
Outro ponto de atenção: a nova exigência de dados do Banco Central em saques e depósitos cripto entra em vigor em meio a esse ciclo de captação, alterando a rotina operacional de quem movimenta entre exchanges nacionais e estrangeiras.



