- Ethereum tocou US$ 1.505 em 6 de junho e acumula queda de 23% na semana
- ETFs spot de ETH somaram US$ 708 milhões em saques entre maio e início de junho
- Ali Martinez aponta próximo alvo técnico em US$ 1.070 caso suporte ceda
O Ethereum renovou a mínima desde o início de 2023 nesta sexta-feira (6) e expôs a fragilidade do mercado cripto diante da combinação entre liquidações forçadas, saques contínuos em ETFs e deterioração do cenário macroeconômico global. A queda recolocou o ativo no centro do debate sobre até onde pode ir o atual ciclo de baixa.
Segundo dados de mercado, o ETH chegou a tocar US$ 1.505 durante o pregão antes de estabilizar próximo de US$ 1.555, cotação que equivale a cerca de R$ 8.090. No acumulado de sete dias, a perda já beira 23%, levando o segundo maior criptoativo do mundo a níveis não vistos há mais de dois anos.
A pressão se intensificou depois que o Bitcoin perdeu brevemente o suporte psicológico de US$ 60.000, gatilho que acionou uma cascata de liquidações em todo o segmento de derivativos. Dados de futuros mostraram que aproximadamente 78,7% das posições zeradas nas últimas sessões eram longs, enquanto o open interest do Ethereum encolheu quase 30% — sinal claro de desalavancagem agressiva.
ETFs de éter perdem US$ 708 milhões em cinco semanas
O fluxo institucional segue como um dos principais vetores da queda. Segundo levantamento da SoSoValue, os ETFs spot de Ethereum negociados nos Estados Unidos somaram US$ 540 milhões em saques líquidos durante maio, e mais US$ 168 milhões deixaram esses produtos apenas na primeira semana de junho.
O movimento marca uma reversão expressiva em relação ao otimismo institucional observado no início de 2025. Para o investidor brasileiro, o ponto sensível é que parte relevante das exchanges locais — como Mercado Bitcoin, Foxbit e Bitso — tende a importar a volatilidade do mercado americano com defasagem mínima, ampliando saques em real e pressionando spreads. Em períodos de fuga de risco como o atual, BDRs e fundos de cripto listados na B3 costumam descolar do valor de referência durante sessões inteiras.
O quadro fica mais delicado quando se observa o cenário macro. Um payroll americano acima do esperado reduziu apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve, e novas tensões militares entre Estados Unidos e Irã empurraram o petróleo Brent para perto de US$ 97 por barril. Na Polymarket, traders precificam 82,2% de probabilidade de o Fed não cortar a taxa básica até o fim de 2026.
Ali Martinez projeta próximo alvo em US$ 1.070
No campo técnico, o Ethereum rompeu uma linha de tendência ascendente que vinha funcionando como base para tentativas de recuperação desde fevereiro. O analista Ali Martinez escreveu em publicação no X que o ETH atingiu seu primeiro objetivo de baixa em US$ 1.560 e que o próximo alvo é US$ 1.070.
A casa de análise More Crypto Online identifica suportes intermediários em US$ 1.550 e US$ 1.400. O MACD diário permanece em território profundamente negativo e o ativo opera bem abaixo da média móvel de 200 dias após perder o nível psicológico de US$ 1.800 ainda nesta semana.
A leitura on-chain reforça a tese baixista. As taxas de rede do Ethereum caíram cerca de 45% em relação aos picos recentes, indicando colapso na demanda por blockspace. Grandes endereços seguem reduzindo exposição, padrão semelhante ao observado em ciclos anteriores de capitulação. Vale registrar que parte dos detentores antigos ainda mantém posições montadas a preços muito superiores — um sinal de que o piso pode envolver realização adicional. Sobre esse ponto, o BitNotícias mostrou recentemente uma baleia adormecida vendendo 10 mil ETH em meio à liquidação.
DeFi tem US$ 547 milhões em risco de liquidação
Estimativas apontam que aproximadamente US$ 547 milhões em posições de empréstimo em protocolos DeFi podem ser liquidados caso o ETH perca a região de US$ 1.400, criando nova onda de venda forçada. Aave, Sky e Morpho concentram boa parte dessas garantias.
Para reverter o cenário, o Ethereum precisaria recuperar a linha de tendência rompida e reconquistar a faixa de US$ 1.800, antigo suporte que agora atua como resistência. O Crypto Fear & Greed Index recuou para 11, leitura mais baixa em mais de um ano e patamar historicamente associado a fundos relevantes — embora também tenha precedido novas pernas de queda em 2022. A relação entre saques em ETFs e desvalorização dos ativos continua sendo o principal termômetro do humor institucional.
