Fed mantém juros entre 3,5% e 3,75% na estreia de Warsh

  • Fed mantém juros entre 3,5% e 3,75% pela quarta reunião seguida
  • Decisão unânime marca estreia de Kevin Warsh na presidência do banco central
  • Inflação ao consumidor subiu a 4,2% em maio, máxima desde abril de 2023

O Federal Reserve manteve a taxa básica de juros dos Estados Unidos no intervalo entre 3,5% e 3,75% na reunião desta quarta-feira (17), conforme decisão divulgada pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc). Foi a quarta manutenção consecutiva e a primeira sob o comando de Kevin Warsh, que assumiu a presidência do banco central norte-americano neste mês.

A escolha já estava praticamente cravada nas mesas de operação. Antes do anúncio, o mercado precificava 99,6% de chance de juros parados, segundo dados de futuros monitorados pelo CME FedWatch. O foco dos investidores, portanto, migrou rapidamente para o comunicado oficial e para a atualização das projeções macroeconômicas — incluindo o famoso dot-plot, que mapeia onde cada membro do colegiado vê a taxa terminal em 2026 e 2027.

Warsh estreia com voto unânime no colegiado

A nota do Fomc trouxe uma novidade política relevante: a decisão foi aprovada por unanimidade, com todos os governadores votando a favor da manutenção. O alinhamento contrasta com a expectativa de viés mais restritivo associada a Warsh, sinalizada por ex-integrantes do banco central nas semanas anteriores à reunião.

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No texto, o Fed reconheceu que “a atividade econômica continua a crescer em ritmo sólido apesar da elevada incerteza decorrente, em parte, do conflito no Oriente Médio”. O trecho liga a postura cautelosa ao choque recente de energia, que pressiona o índice de preços ao consumidor (CPI) mesmo após o acordo preliminar entre Washington e Teerã. Investidores que acompanham o perfil hawkish de Warsh esperavam alguma dissidência, o que não se confirmou.

Inflação em 4,2% tensiona próximos passos

O pano de fundo da decisão é desconfortável. O CPI cheio subiu para 4,2% em maio, maior leitura desde abril de 2023. O salto reflete principalmente energia, com alta de 23,5% no acumulado em 12 meses. A gasolina — termômetro político da economia americana — acelerou de 28,4% em abril para 40,5% no mês seguinte.

O núcleo da inflação, que exclui itens voláteis, também preocupa. O indicador subjacente acumula três meses consecutivos de aceleração e atingiu 2,9%, distante da meta de 2% perseguida pelo banco central. Esse quadro reduz o espaço para cortes no segundo semestre e ajuda a entender por que a Citadel chegou a projetar alta de juros na reunião de setembro, hipótese minoritária mas que voltou ao radar dos derivativos.

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Bitcoin recua leve após a decisão

O mercado cripto reagiu de forma contida. O Bitcoin era negociado a US$ 65.335 (R$ 332.163) no fim da tarde de Brasília, recuo de 1,1% em 24 horas. O Ethereum caía 2,2%, a US$ 1.763, enquanto Solana e XRP operavam perto da estabilidade. A leitura inicial é de que a unanimidade no Fomc afasta o risco de surpresa restritiva imediata, mas o dot-plot precisará ser digerido nas próximas horas.

Para o investidor brasileiro, o efeito é duplo. Juros americanos altos por mais tempo reforçam o dólar — cotado a R$ 5,08 nesta tarde — e mantêm o custo de oportunidade elevado para ativos de risco, incluindo cripto. Por outro lado, fluxos de tesourarias corporativas seguem firmes: relatório da K33 indica que acumuladores absorveram cerca de 125 mil BTC nas semanas que antecederam o Fomc, drenando a oferta das exchanges.

A próxima reunião do Fomc está marcada para julho. Até lá, o calendário inclui novas leituras de CPI, PCE e folha de pagamentos, além das primeiras coletivas oficiais de Warsh — momento em que o presidente terá espaço para imprimir a comunicação que vinha sendo antecipada desde a nomeação.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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