- Fed mantém juros entre 3,50% e 3,75% pela quarta reunião seguida em 2026
- Citadel projeta alta de 75 pontos-base até março de 2027 sob comando de Warsh
- Bitcoin recua a US$ 64.154 e Ethereum cai 3,6% após decisão do FOMC
O Federal Reserve manteve a taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75% pela quarta reunião consecutiva em 2026. A decisão, divulgada nesta quarta-feira pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), prolonga a pausa monetária iniciada no fim de 2025 e marca a primeira reunião sob o comando do novo presidente da autoridade, Kevin Warsh.
A votação saiu em linha com o consenso de mercado. Operadores de futuros de fed funds já precificavam manutenção integral antes do anúncio, e a leitura imediata foi de cautela, nenhum corte iminente, mas também nenhum compromisso explícito com aperto adicional. O comunicado citou incerteza persistente sobre pressões de preços como elemento central das próximas decisões.
A atenção do mercado migrou rapidamente para a entrevista coletiva de Warsh, sua estreia diante da imprensa internacional desde a confirmação no cargo. Investidores buscavam pistas sobre o ritmo de uma eventual mudança de comunicação e sobre o peso que o novo chair atribui ao risco inflacionário no segundo semestre.
Citadel projeta alta em setembro e mais duas até 2027
A Citadel Securities divulgou nota nesta semana defendendo que a inflação dá sinais de enraizamento na economia americana. A casa cita condições financeiras frouxas, resiliência do mercado de trabalho, gargalos em cadeias de suprimento e investimentos pesados ligados a inteligência artificial como vetores que sustentam preços elevados por mais tempo.
Os dados mais recentes reforçam o argumento. O CPI cheio avançou para 4,2% em maio, enquanto o índice de preços ao produtor acelerou para 6,5%. Uma parcela crescente dos componentes do núcleo do CPI roda acima de 3% ao ano, indicando difusão da pressão de custos para além de energia e alimentos.
Com base nesse quadro, a Citadel projeta que pelo menos cinco diretores do Fed devem sinalizar disposição para apertar. Pela aplicação de uma Regra de Taylor inercial, seriam necessários cerca de 75 pontos-base de alta ao longo de 2026, distribuídos entre setembro e dezembro, com um movimento adicional em março de 2027. O cenário de aperto antecipado contrasta com a leitura ainda majoritária de cortes em Wall Street.
O BNP Paribas também revisou a curva. Abandonou a tese de juros estáveis e agora projeta três altas a partir de dezembro, citando emprego forte, inflação persistente e risco geopolítico ligado ao Irã. A divergência entre bancos amplia o intervalo de cenários precificados nos derivativos.
Bitcoin recua a US$ 64 mil e altcoins lideram perdas
A reação cripto foi negativa, ainda que sem pânico. O Bitcoin opera a US$ 64.185 (R$ 326.158), com queda de 2,2% em 24 horas. O Ethereum recua 3,6% para US$ 1.732, e Solana, XRP e Cardano cedem entre 3% e 4,4%. Apenas BNB segura desempenho relativamente firme, com baixa de 1,4%.
A capitalização total do mercado cripto rondava US$ 2,33 trilhões pouco antes da coletiva. O movimento confirma o padrão observado em ciclos anteriores: ativos de risco perdem fôlego quando a curva de juros americana inclina expectativas hawkish. A leitura é consistente com a postura de baleias, que vinham acumulando 125 mil BTC nas semanas anteriores ao FOMC, posicionando-se para volatilidade.
Há ainda um componente político. Donald Trump tem cobrado publicamente cortes de juros desde a posse, mas afirmou recentemente que não pressionará Warsh do mesmo modo que pressionou Jerome Powell. A sinalização reduz o risco institucional imediato, mas não elimina o debate sobre independência da autoridade monetária.
Brasil importa curva americana e pressiona Selic alta
Para o investidor brasileiro, o calendário do Fed dita a janela de fluxo para risco em emergentes. Uma trajetória de juros mais altos por mais tempo nos EUA tende a fortalecer o dólar, manter o real pressionado acima de R$ 5,1068 e reduzir o apetite estrangeiro por ativos locais incluindo Bitcoin negociado em exchanges nacionais. O cenário também trava espaço para o Copom acelerar cortes da Selic, hoje em 14,75%, mesmo com a desinflação interna avançando. Mesa de operações em São Paulo trabalha com a hipótese de o BCB esperar o Fed virar a chave antes de qualquer afrouxamento mais agressivo.
