- Goldman Sachs liquida US$ 260 mi em ETFs de XRP e Solana no 1º trimestre
- Banco amplia posição no IBIT para 41 milhões de cotas e dobra call options
- Posição em ETF de Ethereum da BlackRock cai 68% no mesmo período
O Goldman Sachs liquidou integralmente suas posições em ETFs à vista de XRP e Solana no primeiro trimestre de 2026, segundo documento entregue à SEC. Ao mesmo tempo, o banco reforçou a aposta no Bitcoin via fundo da BlackRock, sinalizando uma escolha clara dentro do portfólio cripto institucional.
A movimentação encerra um experimento iniciado no quarto trimestre de 2025. Naquele período, o Goldman havia revelado cerca de US$ 260 milhões distribuídos entre ETFs de XRP e Solana — sua primeira exposição reportada a criptoativos fora de Bitcoin e Ethereum. Menos de seis meses depois, essas posições foram zeradas.
O recuo acompanha um padrão observado entre grandes gestoras americanas. Harvard, por exemplo, também reduziu agressivamente sua exposição a fundos de Ethereum no mesmo trimestre, conforme detalhado na redução de Harvard no IBIT. O Bitcoin segue tratado como o ativo digital padrão; os demais, como satélites descartáveis.
Como eram as posições em XRP e Solana
A exposição ao XRP totalizava US$ 152 milhões e estava distribuída de forma equilibrada entre emissores. Eram aproximadamente US$ 35,9 milhões em 21Shares, US$ 39,8 milhões em Bitwise, US$ 38,4 milhões em Franklin Templeton e US$ 37,9 milhões em Grayscale. Um book diversificado — típico de quem testa o mercado sem favorecer um emissor.
Já a posição em Solana, de US$ 108 milhões, era mais concentrada. Cerca de US$ 45 milhões estavam no ETF de staking da Bitwise e US$ 35,7 milhões no Grayscale Solana Trust. O restante se dividia entre Fidelity, VanEck, 21Shares e Franklin Templeton. Vale lembrar que o Morgan Stanley fez o caminho oposto recentemente, ampliando posição em ETF de Solana.
Aposta reforçada no Bitcoin via IBIT
Enquanto cortava XRP e Solana, o Goldman elevou sua participação no iShares Bitcoin Trust (IBIT) da BlackRock para cerca de 41 milhões de cotas. Mais relevante: as call options sobre o fundo mais que dobraram, indo a 6,8 milhões de cotas, com 16,3 milhões em puts como hedge. A estrutura sugere viés altista combinado com proteção contra quedas.
A posição no FBTC da Fidelity caiu marginalmente, de 469.640 para 426.555 cotas. O movimento confirma que o banco escolheu a BlackRock como veículo preferencial para Bitcoin. Não é um caso isolado: o fundo soberano Mubadala também concentra fichas no IBIT, hoje o maior ETF spot do mercado.
No Ethereum, o Goldman cortou em torno de 68% sua posição no ETHA, da BlackRock, indo de 43,6 milhões para 13,7 milhões de cotas. Em paralelo, abriu uma nova posição de 2,5 milhões de cotas no iShares Stake Ethereum Trust — produto com componente de staking embutido, que oferece rendimento adicional.
Aposta em infraestrutura cripto
O banco simultaneamente ampliou participação em ações de empresas listadas do setor. As posições em Circle, Galaxy Digital e Coinbase cresceram no trimestre. Na Circle, emissora do USDC, o Goldman mais que triplicou sua fatia, saindo de 417.174 para quase 1,5 milhão de ações.
A leitura editorial é direta: o Goldman trocou exposição a tokens alternativos por exposição a empresas reguladas que ganham com o crescimento do ecossistema, independentemente de qual blockchain vença. É uma tese mais conservadora — e mais alinhada à cultura de risco de bancos americanos. Para o investidor brasileiro, o sinal interessa porque essas mesmas teses costumam pingar nas mesas locais com defasagem de semanas, influenciando alocação de fundos multimercado e produtos estruturados oferecidos por corretoras como XP, BTG e Itaú BBA.
O contexto regulatório ajuda a explicar a cautela seletiva. ETFs de XRP e Solana são mais recentes e operam com base de investidores menor, o que se reflete em liquidez inferior à do IBIT. Sem profundidade de mercado equivalente, instituições com mandatos rígidos de risco têm pouco espaço para manter posições relevantes — especialmente quando precisam reportar marcação a mercado trimestral à SEC.
