- Hashrate cai de 1.030 EH/s para 885 EH/s desde 28 de maio
- Hashprice recua 26,96% em 30 dias e fecha em US$ 28,26
- Próximo ajuste deve cortar dificuldade em 10,76% no dia 13 de junho
O poder computacional que sustenta a rede do Bitcoin encolheu de forma acentuada na última semana, em um movimento que levou um executivo do setor a cunhar um termo inédito. Rapha Zagury, CEO da Elektron Energy, classificou o quadro atual como o primeiro bear market de hashrate da história da rede, marcado por contração gradual e desligamento de máquinas pouco rentáveis.
Os dados do hashrateindex.com mostram que a rede operava a 1.030 EH/s em 28 de maio de 2026. Em 7 de junho, esse número havia recuado para 885 EH/s, uma perda de 145 EH/s em pouco mais de uma semana. A queda coincide com o tombo do BTC para mínimas vistas pela última vez em fevereiro.
Hashprice recua quase 27% em um mês
O hashprice, métrica que estima a receita diária gerada por 1 petahash por segundo de capacidade computacional, despencou no período. Em 7 de maio, o indicador estava em US$ 38,69. Trinta dias depois, fechou em US$ 28,26, uma retração de 26,96%. Para operadores brasileiros que importam ASICs cotados em dólar e pagam energia em real, a combinação de queda no hashprice com o câmbio em R$ 5,2015 aperta ainda mais a margem operacional.
As taxas on-chain, que historicamente compensam parte da pressão sobre a receita, seguem irrelevantes. Nas últimas 24 horas, as fees representaram apenas 0,73% da recompensa total dos mineradores, segundo a mediana. É um patamar que, antes do halving de abril de 2024, parecia distante e que agora se tornou regra.
Ajuste de 10,76% previsto para 13 de junho
O recuo da capacidade total já se reflete nos blocos. O intervalo médio dos últimos dias gira em torno de 11 minutos e 12 segundos, acima do alvo de 10 minutos do protocolo. O próximo ajuste de dificuldade está marcado para 13 de junho de 2026 e deve trazer uma redução estimada em 10,76%, segundo projeções vigentes. A recalibragem anterior havia subido a métrica em 1,72%.
Quando a dificuldade cai, o esforço para encontrar um novo bloco diminui. O efeito imediato é melhorar a receita dos mineradores que continuam ligados, já que sobra mais recompensa por participante. Esse mecanismo automático tem sido o principal escudo do setor em ciclos de baixa de preço e foi justamente o argumento usado por Zagury para defender que a segurança da rede segue intacta.
Mineradoras migram para infraestrutura de IA
Em publicação no X no mês passado, o executivo da Elektron Energy estimou que o hashrate atual está cerca de 25% abaixo do pico de setembro de 2025. Para ele, o custo de um ataque de 51% permanece alto demais para preocupar. Segundo ele, o desafio estrutural é substituir gradualmente o subsídio de bloco por receitas com taxas.
Parte das mineradoras de capital aberto já reagiu redirecionando capacidade para data centers de inteligência artificial, movimento que o BitNotícias detalhou ao mostrar que o setor travou US$ 70 bilhões em contratos de IA. A saída de gigantes deixa espaço para operadores enxutos capturarem fatia maior do bloco.
O quadro também dialoga com a tese de Liz Ann Sonders, da Charles Schwab, que enxerga no custo de mineração próximo de US$ 60 mil um piso para o ciclo atual. No Brasil, a tentativa de Tether e Adecoagro de minerar BTC com cana-de-açúcar aparece como teste de viabilidade num ambiente em que apenas operadores de baixo custo sobrevivem.
