- Carteira atribuída à a16z acumulou 2,11 milhões de HYPE desde 14 de abril
- Padrão gráfico de xícara com alça projeta HYPE em US$ 71 a US$ 72
- HYPE sobe 80% no ano contra quedas de BTC e ETH
Uma carteira on-chain atribuída à gestora de venture capital Andreessen Horowitz, conhecida como a16z, ampliou de forma agressiva sua exposição ao token HYPE, ativo nativo da exchange descentralizada Hyperliquid. O endereço somou US$ 90,87 milhões em compras desde meados de abril, e o movimento coincide com uma configuração técnica que projeta valorização de até 55% para o token.
O dado foi mapeado pela plataforma de inteligência on-chain Lookonchain. Na segunda-feira, o endereço 0xb5E4 adquiriu mais 372 mil HYPE em apenas três horas, totalizando US$ 16,91 milhões na operação. O acumulado desde 14 de abril chegou a 2,11 milhões de tokens, conforme registros públicos disponíveis na Arkham Intelligence.
HYPE destoa de um mercado fraco
Enquanto o restante do setor cedia, o HYPE seguiu na contramão. Nas últimas 24 horas, o token subiu cerca de 1%. No mesmo intervalo, o Bitcoin (BTC) recuou 2% e o Ether (ETH) perdeu 3%.
O contraste fica ainda mais evidente no acumulado do ano. O HYPE soma alta de 80%, ao passo que BTC e ETH amargam quedas de 12,5% e 28,3%, respectivamente. Esse descolamento ajuda a explicar por que o ativo virou ímã para fluxos institucionais em meio à correção mais ampla do mercado cripto, fenômeno que tem coincidido com a fuga de capital observada também nos ETFs spot de Bitcoin nas últimas semanas.
Para o investidor brasileiro, vale uma observação prática. O HYPE não é listado em corretoras nacionais reguladas pela CVM, como Mercado Bitcoin ou Foxbit, e o acesso ainda passa pela própria Hyperliquid ou por exchanges internacionais o que implica conversão de real para stablecoin e exposição cambial. A liquidez local é praticamente inexistente, algo que costuma amplificar o spread em momentos de volatilidade.
Figura técnica projeta US$ 71
No gráfico de três dias, o HYPE forma uma estrutura de xícara com alça (cup and handle), padrão clássico de continuação de tendência. A xícara se desenhou após a queda de aproximadamente US$ 46 para US$ 21, seguida de uma recuperação arredondada que devolveu o preço à zona de resistência entre US$ 45 e US$ 47.
Essa faixa funciona como a linha de pescoço da figura. A consolidação atual, levemente descendente, representa a alça do padrão. Caso o rompimento se confirme, a projeção técnica leva o ativo ao intervalo de US$ 71 a US$ 72 ao longo de 2026 patamar inédito e cerca de 55% acima do preço corrente.
ETF spot e CLARITY Act como combustível
O cenário fundamentalista também trabalha a favor do HYPE. Na semana passada, foi lançado nos Estados Unidos o primeiro ETF spot do token, abrindo uma porta regulada para investidores tradicionais. Em paralelo, Coinbase e Circle assumiram papéis de infraestrutura para a operação de USDC na Hyperliquid, o que reforça a base de stablecoin do protocolo.
O analista Pentoshi avalia que a receita da Hyperliquid pode crescer entre 5 e 10 vezes caso o CLARITY Act avance no Senado e libere fundos de hedge, mesas proprietárias e gestoras de ativos americanas para operar na plataforma. Hoje, restrições regulatórias mantêm esse capital institucional afastado de DEXs com produtos de derivativos.
Aporte de venture capital, padrão gráfico, ETF spot e clareza regulatória formam um conjunto raro de catalisadores convergindo ao mesmo tempo. Vale lembrar, porém, que ETFs recém-lançados costumam atrair fluxo inicial concentrado e podem perder tração rapidamente foi o que se viu em produtos atrelados a altcoins menores ao longo de 2025. Outro ponto de atenção, a concentração da posição da a16z em uma única carteira torna o token vulnerável a movimentos bruscos caso a gestora opte por realizar lucro próximo da resistência de US$ 47.
