- IBIT da BlackRock registra saída de US$ 182 milhões em sessão única
- ETFs de Bitcoin somam US$ 113,78 milhões em saques líquidos no dia
- Fidelity FETH atrai US$ 15,69 mi, mas ether ainda perde US$ 82 milhões
Os ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos voltaram a fechar no vermelho na terça-feira, 23 de junho, com saída líquida de US$ 113,78 milhões. O peso da sessão veio quase inteiramente do IBIT, fundo da BlackRock, que sozinho perdeu US$ 182 milhões em resgates. A movimentação ocorre num momento em que o Bitcoin opera em US$ 59.799, acumulando queda de 4% nas últimas 24 horas, segundo dados de mercado.
O resultado escancara um padrão que se repete há semanas: entradas pulverizadas em fundos menores não conseguem compensar a sangria do maior produto da categoria. E o cenário ganha contornos mais delicados quando se observa que o ether também perdeu folego, com US$ 82,35 milhões em saques líquidos.
ARKB e FBTC tentam segurar o fluxo
Nem todos os emissores viram dinheiro saindo. O ARKB, da Ark & 21Shares, liderou as captações com US$ 30,98 milhões. Logo atrás, o FBTC da Fidelity adicionou US$ 23,04 milhões. O MSBT, do Morgan Stanley, captou US$ 8,92 milhões, enquanto o HODL da VanEck somou US$ 5,28 milhões.
O volume total negociado nos fundos de Bitcoin alcançou US$ 1,56 bilhão no dia, e o patrimônio líquido agregado fechou em US$ 77,54 bilhões. Os números mostram que a liquidez segue robusta o problema é direcional. Investidores estão usando os ETFs para sair, não para entrar.
Maksym Sakharov, cofundador e CEO do grupo WeFi, avalia que o mercado depositou nos ETFs uma expectativa que eles não tinham como cumprir. Segundo ele, os produtos facilitaram o acesso ao ativo, mas não resolvem questões mais profundas sobre adoção, juros, liquidez e risco de baixa. Em sua leitura, a estrutura funciona, só não é forte o bastante para neutralizar um ambiente global de aversão a risco.
ETHA puxa saída de US$ 82 milhões no ether
Nos ETFs de Ethereum, a história foi parecida. O ETHA, também da BlackRock, liderou os resgates com US$ 86,07 milhões. O Grayscale Ether Mini Trust perdeu US$ 10,27 milhões e o ETHB acumulou saída adicional de US$ 1,71 milhão. A Fidelity foi o único ponto fora da curva: seu FETH captou US$ 15,69 milhões, insuficiente para virar o resultado da categoria.
O volume negociado nos fundos de ether somou US$ 354,45 milhões, com patrimônio líquido de US$ 8,95 bilhões. O ETH é cotado a US$ 1.630, recuo de 1,8% no dia. O movimento reforça o padrão de saques em produtos atrelados ao segundo maior ativo cripto, tema que o BitNotícias já vinha acompanhando em cobertura sobre o fluxo do ETH.
HYPE e Solana resistem em doses pequenas
Fora do par BTC-ETH, alguns produtos seguraram captação. Os ETFs de HYPE somaram entrada líquida de US$ 1,46 milhão, divididos entre o HYPG da Grayscale (US$ 1,10 milhão) e o THYP da 21Shares (US$ 359,2 mil). Os fundos de Solana captaram modestos US$ 137,29 mil, vindos exclusivamente do SOLC da Canary. Já os ETFs de XRP não registraram negociações na sessão.
Para o investidor brasileiro que acompanha os fluxos via exchanges locais, o sinal é direto: o capital institucional norte-americano segue cauteloso e não há gatilho claro de retomada enquanto o IBIT mantiver esse ritmo de resgates. A leitura ganha relevância porque o BRL fechou em R$ 5,1996 frente ao dólar, encarecendo qualquer estratégia de exposição comprada em ativos cotados em moeda americana.
O contexto também dialoga com a tese defendida internamente pela própria BlackRock, segundo a qual o boom da inteligência artificial estaria sugando capital que tradicionalmente migraria para o Bitcoin. Outra peça do quebra-cabeça aparece nos derivativos, o funding rate em alta mostra apetite especulativo concentrado em alavancagem, não em alocação spot via ETF.
