- IBIT registra saída líquida de US$ 265,68 milhões em 25 de junho
- Fundo soma seis pregões consecutivos de resgates somando US$ 985,69 milhões
- BlackRock transferiu 4.577 BTC para a Coinbase Prime nesta sexta-feira
O maior ETF de Bitcoin do mundo voltou a operar no vermelho. O iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, registrou saída líquida de US$ 265,68 milhões na quinta-feira (25), segundo dados da SoSoValue compilados pela Finbold. O movimento confirma a sexta sessão consecutiva de resgates no produto que, até semanas atrás, era a principal porta de entrada institucional para o ativo.
O patrimônio líquido do fundo caiu para cerca de US$ 44,43 bilhões. Em apenas seis pregões, o IBIT já viu sair US$ 985,69 milhões. Se a tendência se mantiver até a próxima sexta-feira, o ETF fechará a sétima semana seguida no vermelho, acumulando perdas líquidas superiores a US$ 4,89 bilhões no período.
O fluxo negativo veio acompanhado de um movimento on-chain que reforça a leitura baixista. A BlackRock depositou 4.577 BTC, avaliados em pouco mais de US$ 271 milhões, na Coinbase Prime nesta sexta-feira. Transferências dessa magnitude para mesas institucionais costumam preceder execuções de venda em blocos, embora também possam servir para reequilíbrio de custódia entre clientes do produto.
Mitchnick aponta rotação para ações de IA
O chefe de ativos digitais da BlackRock, Robbie Mitchnick, deu a leitura mais clara do que está acontecendo. Em declaração no início da semana, o executivo afirmou que o boom da inteligência artificial tem sugado o oxigênio do Bitcoin. Segundo ele, ações ligadas à IA vêm subindo às custas do BTC, do ouro e dos metais preciosos.
A tese encontra eco nos números. Investidores do IBIT parecem estar girando capital para tickers de tecnologia que multiplicaram receita com a corrida da IA generativa. Essa rotação tem precedente histórico, em janeiro de 2024, o ouro perdeu participação em portfólios para o Nasdaq sob a mesma narrativa, antes de retomar fluxo seis meses depois quando o tema esfriou.
A discussão sobre a relação entre IA e cripto ganhou mais um ingrediente recente. Arthur Hayes traçou caminho oposto, prevendo que o colapso do ciclo de investimento em IA acabaria empurrando o Bitcoin para US$ 1 milhão. Já Jeremy Grantham vê bolha histórica nas mesmas ações que Mitchnick aponta como vilãs do fluxo do IBIT.
Bitcoin acumula queda de 20% em 30 dias
O pano de fundo é uma queda de mais de 20% no preço do Bitcoin nos últimos 30 dias. O BTC está negociado a US$ 59.580, equivalente a R$ 308.255,90 na cotação do real a R$ 5,17. A pressão vendedora puxada pelos ETFs à vista nos Estados Unidos, com o IBIT na liderança, vem sendo apontada como o principal motor do recuo.
Para o investidor brasileiro, o cenário tem duas leituras práticas. A primeira é que o BTC em reais não caiu tanto quanto o BTC em dólar, porque o real perdeu valor frente à moeda americana no mesmo período. A segunda é que exchanges locais já registram aumento de volume em ordens de compra parceladas, sinal de que parte do varejo aproveita níveis abaixo de R$ 310 mil para acumular.
O comportamento do IBIT virou termômetro de curto prazo para o mercado. Saques anteriores no fundo já haviam arrastado o complexo de ETFs spot para o vermelho, e a Strategy, maior tesouraria corporativa em BTC, opera em alerta caso o ativo perfure a marca de US$ 50 mil.
Coinbase Prime recebe 4.577 BTC da BlackRock
A continuidade do fluxo dependerá da reação dos demais emissores. ETFs concorrentes, como o FBTC da Fidelity e o ARKB da Ark Invest, têm mostrado resgates menos intensos. Caso o IBIT volte a captar, o sinal técnico de reversão pode aparecer rapidamente, dado o peso do fundo na demanda agregada.
Por ora, a transferência de 4.577 BTC para a Coinbase Prime mantém o mercado em compasso de espera. A leitura dos próximos pregões dirá se o movimento foi apenas reequilíbrio operacional ou o início de uma nova rodada de distribuição vinda do maior detentor institucional de Bitcoin do planeta.
