- Kalshi vê 49% de chance de Bitcoin cair abaixo de US$ 50 mil em 2026
- Analista Benjamin Cowen reafirma ciclo de 4 anos e projeta US$ 40 mil
- Tom Lee discorda e cita desalavancagem como motor da queda recente
Traders do mercado de previsões Kalshi aumentaram nos últimos dias a aposta de que o bitcoin pode revisitar a faixa dos US$ 50 mil antes do fim de 2026. A movimentação acontece enquanto o ativo tenta estabilizar após a forte correção de junho e é negociado atualmente perto de US$ 61.959, ou cerca de R$ 319 mil, com queda de 1,5% em 24 horas.
Nos contratos abertos na plataforma, a probabilidade atribuída a uma perda do patamar de US$ 50 mil chegou a 49%. O mesmo mercado precifica 66% de chance de o BTC furar US$ 55 mil, 41% de descer abaixo de US$ 45 mil e 30% de recuar para menos de US$ 40 mil. Foram registradas mais de 51 mil ordens e cerca de US$ 4,6 milhões em volume negociado nesses contratos.
Mercados de previsão não funcionam como projeção formal, mas o preço dos contratos reflete o quanto os participantes estão dispostos a pagar hoje por cada cenário. O tom, portanto, é claramente defensivo, quase metade do capital colocado na mesa aceita pagar por proteção contra uma queda adicional de aproximadamente 20% em relação à cotação atual.
Cowen defende ciclo de quatro anos
O reposicionamento coincide com a volta ao debate público do ciclo de quatro anos do bitcoin. O analista Benjamin Cowen publicou no X que já duvidou da tese, mas mudou de opinião ao observar a repetição do padrão nos bear markets de 2011, 2014, 2018 e 2022, sempre alinhados ao calendário do halving.
Cowen criticou traders que negaram o padrão neste ciclo. Segundo ele, muitos investidores novos zombaram de quem falava em bear market e agora tendem a repetir os mesmos erros. Analista defende capitulação por tempo: mercado precisa de mais meses fracos antes de virar, provavelmente perto de outubro.
Em entrevista anterior ao Mr. M Podcast, o analista disse esperar um teste dos US$ 60 mil como suporte, com risco relevante de rompimento e descida rumo a US$ 40 mil. Queda ao nível representaria recuo de 68% do topo, bear market mais ameno do Bitcoin por retornos decrescentes.
Tom Lee vê desalavancagem, não ciclo
A visão de Cowen é oposta à de Tom Lee, cofundador da Fundstrat. Na Binance Blockchain Week, Lee disse, mercado romperá ciclo quadrienal, e atribuiu queda à desalavancagem, não ao halving. Ele comparou o movimento atual ao colapso da FTX, quando o mercado liquidou posições alavancadas em cadeia e ditou o preço.
Para investidor brasileiro, o duelo entre as duas leituras tem peso prático. Cowen projeta acumulação no fim de 2026 e início de 2027, com BTC abaixo de R$210 mil relevante. Vale lembrar que o próprio mercado local vem sinalizando cautela, os ETFs de bitcoin fecharam o primeiro semestre com resgate inédito de US$ 5,4 bilhões, indicador que costuma anteceder ajustes maiores no spot.
Métricas on-chain reforçam cautela
Cowen também citou o realized price e o balance price como referências históricas de fundo, ambos ainda não perfurados neste ciclo. A leitura converge com dados divulgados pela CryptoQuant, que mostram o indicador NUPL ainda distante da zona de capitulação vista em ciclos anteriores. Junte-se a isso a persistência da inflação americana, o mercado de trabalho enfraquecendo e o risco de recessão levantado pelos próprios membros do Fed.
No radar de curto prazo, traders monitoram a possibilidade de nova alta de juros em setembro. Um Fed mais duro tende a comprimir ainda mais os ativos de risco. No Brasil, B3 amplia derivativos cripto e dólar acima de R$ 5,15 aumenta volatilidade do BTC em reais.
