- Kiyosaki diz que Fed imprime US$ 1 trilhão em menos de um minuto
- Autor recomenda trocar dólares por ouro, prata, Bitcoin e Ethereum
- Alerta de crash entre 2026 e 2027 reforça narrativa de ativos escassos
O escritor Robert Kiyosaki, autor de Pai Rico, Pai Pobre, voltou a colocar o dólar americano no centro de suas críticas e reforçou a tese de que Bitcoin deve fazer parte da estratégia de quem tenta proteger patrimônio. A nova rodada de alertas saiu em uma publicação no X em 12 de junho, na qual ele repete que poupar em moeda fiduciária é uma escolha perdedora.
O argumento central girou em torno de uma comparação numérica. Segundo Kiyosaki, gastar US$ 1 trilhão à razão de US$ 1 por minuto levaria cerca de 34 mil anos.
“O Fed e o Tesouro dos EUA imprimem US$ 1 trilhão em menos de um minuto”, escreveu.
A conta exata do exemplo, na verdade, corresponde a US$ 1 por segundo algo próximo de 31.688 anos, mas a mensagem editorial é a mesma: expansão monetária acelerada corrói o poder de compra do dólar.
Recomendação combina ouro, prata, Bitcoin e Ethereum
A sugestão prática de Kiyosaki não mudou em relação aos últimos meses. Ele defende a troca de caixa por uma cesta com ouro, prata, Bitcoin e Ethereum.
“Poupadores de dólar são perdedores. Dinheiro é lixo”, afirmou no post.
A fala se conecta a declarações anteriores em que o autor já havia escrito “adeus, dólar americano” e citado risco de hiperinflação.
No momento da publicação, o Bitcoin era negociado a US$ 64.330 (cerca de R$ 328,6 mil), com alta de 1,3% em 24 horas, enquanto o Ethereum rodava a US$ 1.677. Os patamares estão bem abaixo das máximas históricas, o que tem alimentado discussões sobre o estágio do ciclo. Parte do mercado já trabalha com a tese de fundo próximo, como mostra a leitura de analistas que veem o ativo no estágio final do bear market.
Kiyosaki também voltou a falar em ciclos. Ele lista quedas registradas em 1987, 2000, 2008, 2015, 2019 e 2022 como momentos em que preços de ativos ficaram, segundo ele, mais atraentes. O autor prevê desaceleração entre 2026 e 2027, com riscos ao emprego e ao mercado imobiliário.
Dívida dos EUA é pano de fundo da tese
O ponto recorrente nas mensagens do autor é a relação entre déficit, dívida federal e emissão monetária. Em posts anteriores, Kiyosaki questionou como o governo americano consegue recolher boa parte da renda de trabalhadores via impostos enquanto acumula trilhões em endividamento. A leitura é que o desequilíbrio fiscal forçaria mais expansão monetária e, no final da cadeia, menor poder de compra para quem mantém reservas em caixa.
O contexto institucional dá alguma sustentação à narrativa de escassez. O Morgan Stanley chegou a tratar publicamente o cenário de Bitcoin a US$ 1 milhão como possível, ainda que distante. ETFs à vista nos EUA continuam atuando como termômetro, junho teve US$ 2,1 bilhões em saques em meio à tensão geopolítica, o que mostra que a tese de proteção via cripto convive com volatilidade severa.
Investidor brasileiro tem real em jogo, não dólar
Para o público local, a mensagem precisa de tradução. O brasileiro que segue Kiyosaki está exposto, em primeiro lugar, ao real, hoje em R$ 5,0623 por dólar. A tese de que caixa perde valor ganha força diante da inflação e da desvalorização cambial persistente.
Plataformas locais regulamentadas já oferecem acesso direto a Bitcoin, Ethereum e a ETFs cripto listados na B3. Em paralelo, o Banco Central avança com o projeto que define limites do Drex, o que coloca a discussão sobre moeda digital soberana versus ativos descentralizados também no radar do Congresso brasileiro. A tese de Kiyosaki ganha força quando investidores analisam a realidade fiscal local além das ações do Fed.
