- MARA Holdings fecha compra de US$ 1,5 bilhão da Long Ridge Energy em Ohio
- Aquisição aumenta capacidade energética da empresa em 65% para 2,2 GW
- Construção de data center de IA começa em 2027 com operação prevista para 2028
A MARA acertou a compra da Long Ridge Energy por US$ 1,5 bilhão, garantindo o controle de uma termelétrica a gás de 505 MW em Ohio. O negócio marca a entrada definitiva da mineradora no setor de data centers voltados para inteligência artificial, ampliando sua capacidade total de energia para 2,2 GW um salto de 65%.
A transação envolve a assunção de pelo menos US$ 785 milhões em dívidas existentes, com financiamento-ponte do Barclays. O restante será pago com caixa próprio e linhas garantidas por bitcoin. Para a vendedora FTAI Infrastructure, o acordo permite quitar US$ 300 milhões em débitos corporativos, fazendo suas ações subirem 14% após o anúncio.
Ativos estratégicos atraem mineradora
A planta de Ohio não é apenas uma usina. Localizada às margens do Rio Ohio, dentro do território PJM Interconnection um dos mercados de energia mais ativos da América do Norte, o complexo inclui infraestrutura crítica que justifica o investimento bilionário.
Entre os ativos estão 100 milhões de pés cúbicos diários de suprimento integrado de gás natural, direitos sobre água, conectividade de fibra ótica e acesso ferroviário. A turbina de ciclo combinado da GE instalada no local ainda permite mistura com hidrogênio, preparando a operação para futuras regulações ambientais.
Os custos operacionais totais ficam abaixo de US$ 15 por megawatt-hora, com contratos de hedge de longo prazo garantindo fluxos de caixa estáveis. A MARA já opera um data center de 200 MW no mesmo local, o que facilita a expansão planejada.
Cronograma agressivo para IA
A mineradora traçou um plano ambicioso, começar a construção da infraestrutura para inteligência artificial e computação crítica no primeiro semestre de 2027, com início das operações marcado para meados de 2028. O site tem potencial para escalar até mais de 1 GW de capacidade total.
Segundo a MARA, já existe interesse de “locatários com grau de investimento” para contratos de longo prazo focados em IA e computação de alta performance. A empresa manterá operações flexíveis de mineração de bitcoin e vendas de energia no atacado através do PJM.
A aquisição adiciona aproximadamente US$ 144 milhões em EBITDA ajustado anualizado, baseado no desempenho projetado de Long Ridge para o segundo semestre de 2025. A equipe operacional atual será mantida, garantindo continuidade técnica.
Movimento reflete tendência do setor
A diversificação da MARA espelha uma tendência crescente entre mineradoras de bitcoin. Com margens comprimidas após o halving e competição acirrada por energia barata, empresas do setor buscam novas fontes de receita. Data centers para IA surgem como alternativa natural aproveitam a mesma infraestrutura elétrica e de resfriamento, mas com contratos mais previsíveis.
No Brasil, onde o custo de energia representa até 80% das despesas operacionais de mineração, o movimento pode inspirar players locais. Empresas como a brasileira Hashdex já estudam modelos híbridos que combinem mineração tradicional com serviços de computação em nuvem.
O fechamento da transação está previsto para o terceiro trimestre de 2026, sujeito à aprovação do Hart-Scott-Rodino Act e da Federal Energy Regulatory Commission (FERC). Uma multa de US$ 75 milhões por quebra reversa protege ambas as partes em cenários específicos de não conclusão.
Para o mercado de mineração, o negócio sinaliza maturidade. Ao invés de depender exclusivamente da volatilidade do bitcoin, grandes mineradoras constroem portfólios diversificados de ativos energéticos. A MARA agora controla capacidade em quatro grandes mercados: PJM, ERCOT, SPP e operações internacionais, posicionando-se como uma empresa de infraestrutura digital integrada.
