- Bitcoin mantém força apesar da crise global e da volatilidade
- Métricas on-chain revelam retenção extrema de longo prazo
- Mercado segue dividido entre confiança, cautela e lucro calculado
À primeira vista, o mercado de criptomoedas mantém um comportamento surpreendente. Mesmo com a crise global ainda intensa, o Bitcoin atua quase como um refúgio seguro. O preço permanece estável, enquanto outros ativos oscilam diariamente.
Essa estabilidade cria uma confiança discreta. Ela não demonstra euforia, mas também não revela fraqueza. E, portanto, sugere que o mercado pode carregar algo mais profundo por trás das aparências.
Sinais silenciosos de oferta travada começam a aparecer
Por baixo dessa calmaria, vários dados on-chain contam uma história mais complexa. Informações da Alphractal indicam que, apesar da atividade de varejo e de capital institucional, as moedas paradas há mais de três anos quase não se movem. A métrica Dias de Moeda Destruídos atingiu mínimas históricas mesmo no recorte de 90 dias.
Esse comportamento não parece simples hesitação. Ele lembra um cenário de esgotamento de oferta, no qual uma parte relevante do Bitcoin disponível permanece bloqueada. Os detentores de longo prazo seguem firmes e não reagem à volatilidade. Esse tipo de inércia, portanto, muda a dinâmica de forma lenta, mas significativa.
Outros dados on-chain reforçam a ideia. A métrica Age Consumed mostrou que moedas antigas se moveram quando o Bitcoin tocou máximas locais no fim de novembro. Já a métrica de Circulação Inativa de 90 dias subiu de forma clara, sugerindo que alguns investidores experientes aproveitaram a alta apenas para reduzir risco.
A Glassnode confirma o quadro. Desde dezembro de 2025, o indicador CDD-90 opera em níveis muito baixos. Porém, em fevereiro de 2026, algo chamou atenção. Enquanto o preço tentava se manter perto de US$ 70 mil, o CDD-90 não subiu. Em condições normais, investidores antigos reagiriam ao estresse. Mas isso não ocorreu.
Mercado dividido entre confiança e cautela
O sentimento do varejo ainda parece firme. O analista Aditya Singhania afirmou recentemente que “não há absolutamente nenhum pânico no Bitcoin”. Ele argumenta que, se o medo fosse real, começaria pelas criptomoedas menores.
Em contraste, o crítico veterano Peter Schiff mantém sua posição histórica. Ele segue questionando a resiliência do ativo, reforçando a divisão entre otimistas e céticos. Essa tensão cria um dos temas centrais deste ciclo, tornando a leitura do mercado mais difícil.
Historicamente, o Bitcoin encontra piso perto do custo de longo prazo, negociado em US$ 66.440. Ainda assim, o preço permanece muito acima desse patamar. Por isso, a correção profunda típica dos ciclos anteriores não ocorreu. A pressão vendedora vem principalmente dos investidores de curto prazo.
Ao mesmo tempo, o comportamento das baleias segue relevante. A Lookonchain rastreou um investidor inicial vendendo 500 BTC, equivalentes a cerca de US$ 47,7 milhões. Trata-se de lucro realizado com calma, não de pânico.
Em 2026, o Bitcoin parece operar em dois ritmos. De um lado, os detentores antigos permanecem imóveis. De outro, baleias e traders ajustam posições rapidamente. Assim, caso o ambiente global não piore, o cenário mais provável envolve movimento lateral prolongado, criando pressão até o próximo grande rompimento.
