Metaplanet estuda usar 43 mil BTC como colateral para bonds tokenizados

  • Metaplanet, JPYC e Progmat iniciam estudo de bonds tokenizados com lastro em Bitcoin
  • Empresa acumula 43 mil BTC, avaliados hoje em US$ 2,75 bilhões
  • Metaplanet Securities estreia em 13 de julho com 250 mil investidores

A Metaplanet quer transformar seu estoque de 43.000 BTC em algo além de reserva especulativa. A companhia listada em Tóquio anunciou nesta sexta-feira (10) um estudo conjunto com JPYC Inc. e Progmat Inc. para criar produtos de crédito digital lastreados em Bitcoin, incluindo debêntures corporativas tokenizadas liquidadas por uma stablecoin de iene.

O movimento faz parte do Project NOVA, plano batizado pelo CEO Simon Gerovich para dar utilidade financeira ao tesouro em Bitcoin da empresa. Nenhum produto foi lançado. O que existe é um trabalho técnico para avaliar se a estrutura cabe dentro da moldura regulatória japonesa.

Do tesouro passivo à garantia de crédito

Chamada informalmente de “Strategy da Ásia”, a Metaplanet começou a comprar BTC em 2024 replicando o modelo criado por Michael Saylor nos Estados Unidos. No fim do segundo trimestre de 2026, o balanço já registrava aproximadamente 43 mil unidades, sendo 2.823 compradas apenas naquele período.

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Aos preços atuais, com o Bitcoin cotado em US$ 64.121 (cerca de R$ 329,5 mil), o tesouro vale por volta de US$ 2,75 bilhões. É a terceira maior reserva corporativa pública do ativo, atrás de Strategy e Twenty One Capital, segundo dados do Bitcoin Treasuries.

A companhia já usa o estoque como alavanca financeira. Mantém uma linha de crédito de US$ 500 milhões com saques relevantes e testou no passado estruturas de ações preferenciais com colateral em BTC. O objetivo é sempre o mesmo, financiar novas compras sem diluir acionistas com emissões repetidas.

Aquisição da Siiibo abre canal para 250 mil investidores

Em junho, a Metaplanet comprou a corretora Siiibo Securities por 2,1 bilhões de ienes, algo próximo de US$ 13 milhões. A empresa detém a licença Tipo 1 de Instrumentos Financeiros no Japão e opera na distribuição online de debêntures corporativas.

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No próximo dia 13 de julho, a firma será rebatizada como Metaplanet Securities. A operação entrega três peças de uma vez, o ativo colateral (o próprio BTC), o canal de distribuição e uma base de cerca de 250 mil investidores pessoa física. Sem essa licença, o Project NOVA não sairia do papel.

Onde o mercado japonês de bonds trava

O mercado de dívida corporativa no Japão funciona quase exclusivamente para grandes emissores em ofertas públicas. Empresas médias enfrentam custos administrativos pesados para emitir, registrar investidores e processar pagamentos. A Lei das Sociedades japonesa também não foi desenhada para instrumentos que rendem juros diariamente e negociam 24 horas por dia.

É esse gargalo que o consórcio quer atacar. A ideia é tokenizar os direitos do credor via security tokens da Progmat e rotear pagamentos por meio da stablecoin de iene JPYC. A divisão de tarefas ficou clara, a Metaplanet oferece o colateral e desenha o produto, a Metaplanet Securities estrutura e distribui, a JPYC cuida da liquidação em stablecoin; a Progmat entrega a infraestrutura regulada dos tokens.

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Contexto brasileiro e corrida por RWA

O experimento japonês ecoa uma tendência global de tokenização de ativos reais que já mobiliza bancos brasileiros. O Itaú testa depósitos tokenizados em blockchain, enquanto o Banco Central avança com o Drex. A diferença é que a Metaplanet propõe algo raro, usar BTC como camada de garantia para dívida corporativa denominada em moeda fiduciária.

O contraste com o modelo americano também chama atenção. Enquanto a Strategy explora emissões de dívida convencional para comprar mais moeda, a japonesa quer que o próprio BTC vire lastro para novas linhas de crédito no varejo japonês.

Próximas etapas e riscos abertos

A Metaplanet reforçou que os 43 mil BTC não estão comprometidos com nenhum produto específico. Não há data de emissão, taxa de juros, estrutura definida nem canal de venda escolhido. Cada etapa precisará de aprovação separada dos reguladores japoneses e testes de prova de conceito.

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Restam questões abertas sensíveis, como avaliar o colateral durante oscilações bruscas do Bitcoin, como custodiar o ativo em favor dos investidores e como integrar liquidação contínua com sistemas legados de escrituração. Se a arquitetura sobreviver ao teste regulatório, a Metaplanet ganhará uma segunda linha de receita que não depende da variação de preço do BTC.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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