Padrinho das criptos vê Bitcoin caindo para US$ 50 mil

  • Terpin atribui 60% de chance para o Bitcoin buscar fundo abaixo dos atuais US$ 80 mil
  • Faixa-alvo da correção fica entre US$ 48 mil e US$ 57 mil
  • Compras de Strategy e ETFs spot elevaram o piso estrutural do ativo

O investidor Michael Terpin, apelidado de padrinho do bitcoin no mercado americano, projeta que o ativo ainda não encontrou o fundo do ciclo atual. Em fala no Consensus Miami, ele estimou em apenas 40% a probabilidade de o piso já ter sido marcado e atribuiu 60% de chance a uma nova perna de queda.

O CEO da Transform Ventures trabalha com odds de 2 para 1 de que o Bitcoin ainda visite níveis mais baixos. A leitura contradiz parte do consenso recente do mercado, que vinha tratando o intervalo dos US$ 80 mil como zona de acumulação institucional.

O cenário de Terpin

Segundo o investidor, o piso provável da correção foi revisado para cima. Ele já não enxerga retorno à casa dos US$ 40 mil, justamente pela demanda contínua da Strategy (ex-MicroStrategy) e pelos ETFs spot americanos. Esses dois vetores criam um colchão estrutural que limita o estrago.

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Terpin disse que pretende recomprar entre US$ 60 mil e US$ 50 mil o que vender perto dos US$ 80 mil. A leitura técnica complementar é direta, o BTC precisa romper a mínima de fevereiro nos US$ 60 mil e tocar a média móvel exponencial de 200 dias para validar o ciclo.

O raciocínio nasce do modelo proprietário dele, batizado de “Quatro Estações”, que mede retornos e quedas decrescentes a cada ciclo de halving. Neste ciclo, o pico de retorno mal alcançou 2x abaixo dos 3x esperados pelo veterano. Já a queda máxima ficou em 54% desde o topo de US$ 126 mil, contra projeção original de 66%. A conta indica um alvo entre US$ 48 mil e US$ 57 mil para fechar o ciclo. As declarações foram feitas em painel oficial do evento.

O que isso significa para o brasileiro

Para o investidor doméstico, o cenário de Terpin tem leitura dupla. Se confirmada a tese, o BTC retornaria à faixa de R$ 260 mil a R$ 310 mil nas exchanges locais, considerando o dólar próximo de R$ 5,40. É uma janela de entrada que muitos traders brasileiros já marcaram como meta desde o topo de 2025.

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A leitura, porém, exige cuidado. Modelos baseados em ciclos de halving vêm sendo questionados desde que a entrada dos ETFs spot mudou a estrutura de demanda. Como mostrou a captação recente em fundos cripto, o fluxo institucional segue positivo mesmo com o preço sob pressão. Esse comportamento sugere que o piso real pode ser mais alto do que sugerem modelos pré-2024.

O pano de fundo macro

O Bitcoin opera em US$ 79.280 nesta semana, depois de tocar US$ 82.145 na segunda-feira. A queda acumulada desde o topo histórico de US$ 124 mil chega a 37%. O Índice de Medo e Ganância está em 49 o varejo ainda não voltou.

Fonte: coinmarketcap

O quadro macro pesa. O CPI de abril nos EUA saiu em 3,8%, pressionado pela alta da energia ligada ao conflito com o Irã. O mandato de Jerome Powell no Fed se encerra em 15 de maio, e Kevin Warsh aparece como nome favorito para a sucessão. A combinação de inflação resiliente e troca de comando no banco central americano adiciona uma camada de incerteza que dificulta a tese baixista pura qualquer sinalização dovish de Warsh pode mudar rápido a equação.

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Vale notar o paralelo com outras vozes técnicas. Peter Brandt também trabalha com cenário de canal de baixa, enquanto analistas como Michaël van de Poppe defendem retomada para os US$ 88 mil sem novo fundo. O mercado segue dividido entre quem lê o atual movimento como correção saudável e quem espera capitulação adicional antes da próxima perna de alta. A Strategy, por sua vez, segue acumulando Michael Saylor reforçou que o BTC precisa subir apenas 2,3% ao ano para sustentar a estrutura financeira da companhia.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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