- Mineradoras de Bitcoin públicas desligaram 56 EH/s no primeiro semestre de 2026, queda de 15%
- Receita reportada com HPC e IA cresceu 52% frente ao trimestre anterior
- Bitdeer lidera com US$ 1.213 por MWh em nuvem de IA, seis vezes o rendimento do S23
A migração das mineradoras de Bitcoin para hospedagem de cargas de inteligência artificial deixou de ser tendência para virar linha central de receita. Levantamento do The Energy Mag mostra que empresas públicas do setor desligaram cerca de 56 EH/s de hashrate realizado no primeiro semestre de 2026, contração de 15% — bem acima da queda de 10% registrada em toda a rede do Bitcoin. Grande parte dessa capacidade não sumiu: foi redirecionada para racks de GPU.
O reflexo apareceu nas demonstrações financeiras. A receita de HPC e IA reportada pelas mineradoras comparáveis subiu 52% em relação ao primeiro trimestre. Para as companhias mais avançadas na transição, o segundo trimestre marcou algo inédito: a receita de colocation ou nuvem de IA superou pela primeira vez o faturamento com mineração, que vem sendo desligada de forma controlada.
A conversão de galpões de mineração em data centers de IA cobra caro. As 14 empresas analisadas pelo The Energy Mag investiram US$ 18,6 bilhões em um único trimestre alinhado. Entre os seis provedores de infraestrutura que já reportam receita recorrente com HPC, o capex somado ficou quase 15 vezes maior que a receita combinada do período.
O quadro se conecta a uma projeção mais ampla: a PwC estima que a construção global de data centers para IA pode exigir US$ 31,6 trilhões até 2050. Análises anteriores do próprio Miner Weekly já haviam mapeado cerca de US$ 30 bilhões em capex das mineradoras públicas e de rivais puros de IA. O ritmo é tão intenso que a pergunta deixou de ser “vale a pena migrar?” e passou a ser “quanto rende, de fato, um megawatt-hora vendido para IA?”.
Mineradoras de Bitcoin
As respostas mostram uma escala de valor bem definida. Provedores que atuam como “donos do imóvel” — vendendo espaço energizado — geram receita recorrente entre US$ 86 e US$ 300 por MWh, com mediana de US$ 180. Quando o modelo troca aluguel por venda de computação, os números disparam: a CoreWeave pagou cerca de US$ 322 por MWh apenas em hospedagem, e operadores full-stack chegam a patamares muito maiores.
A IREN gerou aproximadamente US$ 807 por MWh em receita de nuvem de IA, a HIVE ficou perto de US$ 924, a WhiteFiber em US$ 958 e a Bitdeer liderou com cerca de US$ 1.213 por MWh. Esses valores não são comparáveis a aluguel: embutem o preço das GPUs, do software e da orquestração, e transferem para o operador o risco de ociosidade e obsolescência. A própria Bitdeer ilustra o dilema — a densidade de receita foi a maior do grupo, mas os custos do segmento superaram o faturamento.
A comparação com mineração é o dado que mais interessa a quem investe no setor. A mediana estimada de US$ 174,90 por MWh em colocation praticamente empata com os US$ 179,13 por MWh gerados hoje pelo Antminer S23 Hyd, da Bitmain.
O S21 Pro rende apenas US$ 113,45 por MWh. Só que a economia por trás é oposta: contratos de colocation duram anos e muitas vezes repassam o custo de energia ao cliente, enquanto a receita da mineração oscila junto com preço, dificuldade e taxas.
No meio do caminho aparece o Zcash. Uma máquina Z15 Pro produz hoje cerca de US$ 585,61 por MWh, três vezes mais que o S23 Hyd. Há pouco mais de uma semana o número passava de US$ 700. Não é coincidência que o token tenha rompido a marca de US$ 1.000 com o ETF da Grayscale, atraindo hashrate que antes fluía para o Bitcoin.




