- Morgan Stanley cobrará 0,14% ao ano nos ETFs de Ethereum e Solana
- Custodiante e validadores ficam com 5% das recompensas de staking
- Tickers MSSE e MSOL já constam em amendment enviado à SEC
O Morgan Stanley apresentou um aditivo ao registro S-1 de seus fundos de Ethereum e Solana e detalhou pela primeira vez a estrutura econômica dos produtos. A taxa de patrocínio anual ficou em 0,14% sobre o NAV de cada fundo, cobrada diariamente e quitada mensalmente. A movimentação foi sinalizada pelo analista de ETFs James Seyffart, da Bloomberg Intelligence, em publicação no X.
Os tickers escolhidos reforçam a estratégia de marca do banco, MSSE para o trust de ETH e MSOL para o de SOL. A iniciativa amplia a aposta cripto do Morgan Stanley após o lançamento do ETF spot de Bitcoin em abril e indica que a casa está alinhada com a corrida regulatória aberta pela SEC para a próxima geração de fundos.
Como funcionará o staking nos trusts
O ponto mais sensível do filing é o desenho do staking. Os trusts poderão fazer staking dos ativos para gerar renda extra, e a divisão das recompensas foi calibrada para favorecer o cotista. Custodantes e prestadores de serviço de validação receberão coletivamente 5% das recompensas, enquanto 95% permanecem dentro dos fundos.
O documento também é taxativo ao dizer que o patrocinador não terá direito a qualquer fatia das recompensas que exceda a taxa de administração. Para o investidor, isso significa um produto potencialmente mais rentável do que ETFs concorrentes que optam por não fazer staking caso da maioria dos fundos de Ethereum aprovados até agora nos Estados Unidos.
No caso do ETH, os custodiantes alocarão as moedas em contratos de staking e os prestadores rodarão validadores em nome do trust. O risco de slashing permanece, se um validador descumprir as regras do protocolo, o sistema poderá confiscar parte do ETH em staking. O Morgan Stanley também listou métricas operacionais em 18 de maio, cerca de 3,64 milhões de ETH aguardavam ativação como validadores, com fila limitada a 56 validadores por epoch, ou aproximadamente 57,6 mil ETH por dia, o que equivale a uma espera estimada de 63 dias para começar a gerar rendimento.
Solana entra sem teto diário de staking
A estrutura do produto de Solana repete o mesmo desenho de divisão de recompensas, mas o filing não traz limite máximo de staking diário, em linha com o funcionamento mais flexível da rede. Os validadores poderão receber delegações do SOL custodiado sem acesso às chaves privadas dos ativos delegados.
A aposta em SOL acontece em um momento delicado para a rede. A moeda é negociada em US$ 69,59, ou aproximadamente R$ 358, em queda de 3,2% nas últimas 24 horas. O ETH segue trajetória parecida, na casa de US$ 1.709, com recuo de 2,2%. A correção atrapalha o timing do lançamento, mas pode também baratear o ponto de entrada de fundos institucionais que dependem dos ETFs para alocar nessas redes.
Corrida de altcoins na SEC ganha velocidade
O movimento do Morgan Stanley reforça uma tendência, emissores estão acelerando filings para captar o pipeline aberto pela SEC após a aprovação de produtos como o BlackRock Bitcoin Premium Income ETF, que estreou em 16 de junho. Há especulação sobre um ETF próprio de XRP, após o banco divulgar exposição indireta ao ativo.
Para o investidor brasileiro, a relevância é dupla. Primeiro, o staking embutido pode incentivar gestoras locais a lançar produtos com renda, ainda incomuns na B3. Segundo, a maior liquidez institucional em ETH e SOL amplia volumes locais e reduz prêmios nos saques. A própria rede Ethereum vive um momento de demanda recorde por staking, com 34 milhões de ETH travados em validadores, e a chegada de mais um veículo institucional tende a apertar ainda mais a oferta líquida em exchanges. Vale lembrar que outros emissores também correm pelo mesmo espaço, como mostrou a recente aprovação do ETF multiativos com Litecoin.
