- Nvidia rompe US$ 236 e leva valor de mercado a US$ 5,7 trilhões
- Alibaba, Tencent e ByteDance preparam compras do chip H200
- Indicadores técnicos mostram sobrecompra com RSI próximo de 65
A Nvidia renovou seu recorde histórico na semana passada ao superar a marca de US$ 236, com o valor de mercado se aproximando de US$ 5,7 trilhões. O salto de 3,7% em um único pregão veio acompanhado de uma sequência de altas consecutivas, refletindo o reposicionamento de investidores antes do próximo balanço trimestral.
No acumulado de 12 meses, a ação avança mais de 70% e supera com folga os principais índices de Wall Street. Só em 2026, a alta já passa de 25%. O Philadelphia Semiconductor Index, termômetro do setor, também opera em níveis recordes na esteira do movimento.
China volta a puxar a demanda por chips
O principal catalisador da nova máxima foi a retomada da demanda chinesa. Alibaba, Tencent, ByteDance e JD.com estariam preparando ordens de compra do processador H200, ainda dependentes de aprovações regulatórias.
O CEO Jensen Huang integrou recentemente uma delegação norte-americana em viagem ao país asiático. Embora as restrições de exportação dos EUA continuem vigentes, o mercado já precifica uma reabertura parcial desse canal. Mesmo com a receita chinesa pressionada pelos controles, a demanda global por GPUs de alto desempenho para treinamento de modelos e infraestrutura de IA permanece estruturalmente forte.
O movimento ecoa em outros segmentos de tecnologia. ETFs temáticos do setor, como SOXX e TOPT, já acendem sinal de alerta entre analistas que monitoram fundos vulneráveis ao topo do ciclo de inteligência artificial.
Leitura técnica e zona crítica nos US$ 210
Do ponto de vista gráfico, a NVDA mantém estrutura de alta. O papel negocia acima da média móvel de 20 dias, próxima a US$ 210, da média de 50 dias em US$ 193 e da média de 200 dias em US$ 186. O nível Kijun do Ichimoku, em US$ 210,63, funciona como suporte imediato.
Os indicadores de momentum, porém, sinalizam exaustão. O RSI oscila entre 64 e 65, enquanto o CCI entrou em território de sobrecompra acima de 130. O Stochastic RSI já gerou sinal vendedor de curto prazo, indicando possível consolidação antes de uma nova perna de alta.
O intervalo provável para os próximos pregões fica entre US$ 215 e US$ 235. Um rompimento confirmado acima dos US$ 235 abriria espaço para novas máximas. Já uma perda sustentada da faixa de US$ 210 a US$ 215 enfraqueceria a estrutura técnica e pavimentaria uma correção mais profunda.
Projeções para 2026 e leitura para o investidor brasileiro
Modelos quantitativos do CoinCodex preveem consolidação no curto prazo. Para maio de 2026, o intervalo projetado fica entre US$ 204 e US$ 224. Junho e julho indicam recuo moderado, com média próxima de US$ 195 a US$ 201.
A virada otimista aparece no segundo semestre. Setembro e outubro miram a casa dos US$ 220, novembro estende para US$ 260 e dezembro projeta picos próximos de US$ 280. Os números dependem da continuidade do ciclo de gastos com infraestrutura de IA e da postura do Federal Reserve em relação aos juros.
Para o investidor brasileiro, o termômetro vai além da bolsa americana. Nvidia se tornou indicador do apetite por risco global, e movimentos bruscos no papel costumam respingar em Bitcoin e altcoins ligadas à narrativa de IA. Recente pesquisa do Bank of America mostra gestores precificando risco de novo aperto monetário, cenário que historicamente comprime múltiplos de empresas de tecnologia. O comportamento do dólar também atinge o investidor local: quando a NVDA sobe em meio a um dólar forte, BDRs da ação no B3 amplificam ganhos em reais. Dados oficiais sobre a ação estão disponíveis na página de relações com investidores da Nvidia.
