- Stablecoins avançam rapidamente em mercados emergentes com forte demanda
- Remessas baratas impulsionam crescimento global dessas moedas digitais
- Adoção acelerada conecta economias locais ao sistema financeiro digital
O avanço das stablecoins ganhou força neste ano e, agora, cria novas bases para o dinheiro digital em vários países emergentes. Um relatório da S&P Global Ratings indica forte expansão, especialmente em regiões que buscam alternativas mais estáveis às suas moedas locais. A instituição calcula que o uso dessas moedas digitais indexadas ao dólar pode saltar de US$ 70 bilhões para US$ 730 bilhões somente nos mercados emergentes, embora não apresente um prazo específico para essa evolução.
Esse movimento ocorre em países como Índia, Paquistão, Filipinas, Brasil, Indonésia e Vietnã. Essas nações concentram mais de US$ 9 trilhões em PIB e reúnem mais de dois bilhões de pessoas, o que reforça a dimensão do impacto econômico. Em paralelo, projeções de Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, apontam que a adoção global pode alcançar US$ 3 trilhões, número que supera em 50% sua estimativa anterior.
Enquanto isso, o Citi mantém uma visão ainda mais ousada. O banco projeta que o mercado de stablecoins pode atingir US$ 4 trilhões até o fim da década, impulsionado por novos modelos de pagamento e maior integração financeira internacional. O ritmo atual confirma a tendência, já que o setor atingiu US$ 311 bilhões em 17 de janeiro, marcando um recorde histórico.
Inflação e proteção cambial impulsionam a demanda
Apesar do otimismo, alguns analistas mostram preocupação. Geoffrey Kendrick, do Standard Chartered, alerta que as stablecoins podem estimular fuga de capital em países emergentes, ampliando o risco para bancos locais que já operam sob forte pressão inflacionária. Ainda assim, a S&P projeta que essas moedas digitais podem alcançar até 20% de todos os depósitos bancários em economias com inflação mais elevada.
Esse comportamento não surpreende. Em várias regiões, as moedas domésticas perdem valor rapidamente. O rial iraniano, por exemplo, viu quase 90% de sua força desaparecer em menos de uma década. Nesse contexto, as stablecoins ligadas ao dólar oferecem uma forma ágil de dolarização digital, considerada mais acessível e, muitas vezes, mais segura do que os sistemas bancários tradicionais.
Remessas e digitalização aceleram a expansão global
Além da proteção cambial, as remessas internacionais funcionam como o segundo grande motor dessa transformação. Em países onde o dinheiro enviado por trabalhadores no exterior representa parte relevante do PIB, as stablecoins reduzem custos e aceleram transferências. Hoje, sistemas tradicionais ainda cobram cerca de 6,5% por operação, índice bem acima das metas internacionais.
Com stablecoins, o tempo de liquidação cai de dias para minutos, removendo taxas de intermediários e ampliando o acesso financeiro. Além disso, essa eficiência fortalece o uso diário das moedas digitais, especialmente entre famílias que dependem dessas remessas.
A terceira força é geracional e estrutural. Dados da TRM Labs mostram que 24 dos 30 países líderes em uso de ativos digitais são mercados emergentes. Nessas regiões, as stablecoins funcionam como elo entre economias locais e o sistema digital global, facilitando comércio, poupança e pagamentos sem exigir infraestrutura bancária avançada.
Assim, o setor segue em expansão contínua, apoiado por necessidades reais, adoção crescente e uma dinâmica econômica que pode, de fato, empurrar o mercado global rumo aos US$ 4 trilhões.
