- Opera troca dólares por tokens CELO estratégicos
- MiniPay impulsiona expansão cripto global
- Mercado reage positivamente à nova estratégia
A Opera, listada na Nasdaq, quer dar um passo ousado no mercado cripto. A empresa propôs substituir pagamentos em dinheiro por US$ 160 milhões em tokens CELO, aprofundando sua ligação com o ecossistema blockchain.
A companhia norueguesa informou que pretende trocar os pagamentos trimestrais em dólares por uma alocação direta de 160 milhões de CELO, condicionada à aprovação da governança on-chain da rede.
Se a comunidade validar a proposta, a Opera deixará de receber valores fixos em moeda tradicional. Em vez disso, passará a acumular participação estratégica no próprio protocolo.
Com isso, a empresa alinhará seus incentivos ao desempenho da rede. Além disso, poderá se tornar uma das maiores detentoras institucionais de CELO no mercado global.
Estratégia reforça aposta no ecossistema Celo
A Celo opera como protocolo alinhado ao Ethereum e prioriza pagamentos móveis. Nos últimos anos, a rede focou especialmente em transferências de stablecoins em mercados emergentes.
Recentemente, a Celo migrou de blockchain independente de camada 1 para uma solução de camada 2 no Ethereum. Essa mudança ampliou integração e eficiência.
A Opera afirmou que a proposta reflete sua “crença no valor de longo prazo” do ecossistema. As duas empresas colaboram desde 2021, quando a Opera integrou stablecoins nativas à carteira do navegador.
Desde então, a parceria ganhou escala. O principal vetor de crescimento passou a ser a MiniPay, carteira auto custodiada construída sobre a infraestrutura da Celo.
Segundo a empresa, a MiniPay alcançou 14 milhões de usuários. O aplicativo foca pagamentos com stablecoins, principalmente em regiões com alta demanda por soluções móveis.
Além disso, a carteira passou a se conectar a sistemas locais como PIX e Mercado Pago na América Latina. Essa integração aumentou a utilidade prática do serviço.
Resultados financeiros fortalecem movimento
A proposta surge em um momento de forte desempenho operacional. A Opera divulgou receita de US$ 177,2 milhões no quarto trimestre, alta de 22% na comparação anual.
O lucro ajustado somou US$ 41,9 milhões, com margem de 24%. No acumulado do ano, a receita atingiu US$ 614,8 milhões.
O lucro ajustado anual alcançou US$ 142,5 milhões. Além disso, a empresa anunciou programa de recompra de ações de US$ 300 milhões.
Essa iniciativa reduz o número de papéis em circulação e tende a elevar o lucro por ação. O mercado reagiu de forma positiva.
As ações da Opera avançaram mais de 21% no último mês. Atualmente, os papéis são negociados perto de US$ 15, o que garante valor de mercado aproximado de US$ 1,3 bilhão.
Enquanto isso, outras empresas também acumulam ativos digitais ligados aos próprios ecossistemas. A ConsenSys mantém exposição ao Ether por meio de sua infraestrutura, assim como a Blockstream sustenta reservas em Bitcoin.
Agora, a Opera aposta que o mesmo modelo pode gerar valor estratégico. Se aprovada, a conversão para pagamentos em tokens CELO pode marcar uma nova fase na integração entre empresas listadas e redes blockchain.
