- Apostas de baixa dominam e reforçam cenário pessimista no Bitcoin
- Liquidez menor pressiona preços e amplia risco de novas quedas
- Institucionais ainda veem valor estratégico no longo prazo do BTC
O mercado de criptomoedas iniciou a semana com nova pressão, enquanto o Bitcoin voltou a perder força e ampliou as dúvidas entre investidores. Durante o fim de semana, o ativo caiu abaixo de US$ 65.000 e reacendeu a busca por proteção em meio ao clima de forte aversão ao risco.
A queda reforçou ainda mais o movimento visto no Polymarket, onde muitos traders já apostam em um cenário de baixa mais profunda para os próximos dias.
Apostas de baixa disparam na Polymarket
A plataforma de previsões registrou um salto expressivo nas negociações. Assim, as apostas que veem o Bitcoin abaixo de US$ 55.000 alcançaram 72%, com volume superior a US$ 1,2 milhão. Esse avanço mostra que uma parcela crescente do mercado espera uma correção mais dura.
Ao mesmo tempo, outras previsões seguem o mesmo caminho. As apostas projetando quedas abaixo de US$ 50.000 e US$ 45.000 marcaram 61% e 47%, acompanhadas de volumes de US$ 170.000 e US$ 1,4 milhão. Com isso, o sentimento geral permanece frágil, mesmo após uma breve recuperação para cerca de US$ 66.220 nesta segunda-feira.
A pressão também aparece na capitalização do Bitcoin. O valor de mercado caiu para US$ 1,31 trilhão e levou o ativo para a 15ª posição global, atrás do ETF Vanguard S&P 500 (VOO), de acordo com dados da 8marketcap. Em apenas alguns meses, o Bitcoin perdeu US$ 440 bilhões, cerca de um quarto de todo o valor registrado no início do ano.
Analistas divergem sobre o “fundo” da queda
O declínio não atingiu apenas o Bitcoin. A capitalização total do mercado cripto também recuou cerca de US$ 760 bilhões, segundo a CoinGecko. Ainda assim, o BTC mantém uma valorização de 22% em cinco anos, um contraste que mantém viva a discussão sobre seu papel como proteção inflacionária.
As expectativas de queda abaixo de US$ 55.000 se alinham às previsões de grandes instituições. Analistas do Standard Chartered afirmam que o Bitcoin pode recuar até US$ 50.000, antes de mirar novamente níveis próximos de US$ 100.000. Já a CryptoQuant avalia que a faixa de US$ 55.000 pode representar o “fundo definitivo” do ciclo atual.
A empresa também destacou sinais de alerta no mercado de stablecoins. O Tether (USDT) estaria sob forte pressão de liquidez, cenário semelhante ao observado no fundo de 2022. Além disso, os fluxos de stablecoins para exchanges despencaram de US$ 616 milhões, em novembro de 2025, para apenas US$ 27 milhões, indicando queda acentuada do poder de compra marginal.
Mesmo com o clima pessimista, alguns especialistas continuam confiantes no longo prazo. O analista Pierre Rochard classificou o Bitcoin como “o ativo mais subvalorizado do mundo”, destacando sua resiliência histórica. Uma pesquisa recente da Coinbase reforçou esse argumento, mostrando que 70% dos investidores institucionais veem o ativo como barato quando cotado entre US$ 85.000 e US$ 95.000.
Embora o momento atual seja de forte incerteza, o debate sobre o real valor do Bitcoin permanece aberto e cada vez mais polarizado.
