Ripple libera 1 bilhão de XRP do escrow e renova pressão de oferta

  • Ripple destrava novo lote de 1 bilhão de XRP do contrato de escrow
  • Liberação ocorre com token a US$ 1,29 e queda de 2,5% em 24 horas
  • Mecanismo segue regra fixada em 2017 para limitar oferta circulante

A Ripple executou nesta semana a liberação programada de 1 bilhão de XRP do contrato de escrow, repetindo a operação mensal que estrutura a oferta do token desde 2017. A movimentação acontece em um momento delicado para o ativo, que opera próximo de mínimas trimestrais e enfrenta pressão vendedora persistente. A liberação do ripple não é evento isolado, mas peça central do desenho monetário do projeto.

No mercado à vista, o XRP é negociado a US$ 1,29 (cerca de R$ 6,47), com recuo de 3,5% em 24 horas. A cotação reflete o cenário descrito em análises recentes sobre distribuição de baleias, que apontam saída coordenada de grandes endereços perto da zona de US$ 1,35.

Fonte: coinmarketcap

Como funciona o escrow da Ripple

A Ripple criou o contrato de custódia em dezembro de 2017 para responder a uma crítica recorrente do mercado sobre seu controle da oferta. Naquele momento, a Ripple bloqueou 55 bilhões de XRP em 55 contratos independentes, cada um programado para liberar 1 bilhão por mês.

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A regra é simples na superfície. Todo início de mês, um lote é destravado. O que a empresa não usa em operações com clientes, pagamentos transfronteiriços, parcerias com instituições financeiras e liquidez para corretoras volta ao escrow no ciclo seguinte, geralmente realocado em novos contratos com vencimentos mais distantes. Na prática, o volume líquido que chega ao mercado costuma ser bem inferior ao bilhão liberado.

Segundo dados públicos do XRP Ledger, a Ripple historicamente reaproveita entre 60% e 80% do montante liberado a cada mês. Ainda assim, o estoque travado vem encolhendo lentamente, refletindo o uso crescente da liquidez pela empresa para sustentar produtos como o On-Demand Liquidity e acordos com parceiros institucionais.

Impacto imediato sobre o preço

Apesar do volume nominal expressivo, as liberações tendem a exercer impacto limitado sobre a cotação. O motivo é estrutural, o mercado já precifica o calendário previsível há quase oito anos. O que costuma mover preço é o destino do XRP destravado se vai para market makers, exchanges ou retorna ao escrow.

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Neste ciclo, o token chega à liberação fragilizado. A perda do suporte em US$ 1,30 ampliou o viés baixista, conforme detalhado na análise sobre o limite do ETF diante da venda à vista. Os fluxos para fundos negociados em bolsa lançados nos Estados Unidos não foram suficientes para neutralizar a saída de capital no mercado spot.

Contexto para o investidor brasileiro

Para o brasileiro exposto a XRP via corretoras locais, a liberação importa por dois motivos. Primeiro, porque marca a quantidade máxima teórica de oferta nova entrando no mercado a cada mês um teto que ajuda a calibrar expectativas em janelas de baixa liquidez. Segundo, porque os movimentos da Ripple coincidem frequentemente com aumento de volatilidade nos primeiros dias do mês, período em que ordens automatizadas costumam disparar em pares como XRP/BRL.

A movimentação também precisa ser lida ao lado de um cenário regulatório que se ajusta no Brasil. Recentemente, o Banco Central publicou novas regras para o setor cripto, com exigências de transparência para prestadores de serviços de ativos virtuais. Token com oferta concentrada e cronograma programado, como o XRP, tende a receber atenção redobrada de áreas de compliance das exchanges locais.

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No comparativo entre altcoins de alta capitalização, o XRP fica atrás da Stellar (XLM), que impulsionou seu rali recente com o acordo firmado com a DTCC. A relação entre os dois ativos historicamente serve como termômetro de rotação dentro do segmento de pagamentos. Os próximos relatórios trimestrais da Ripple e o saldo restante em escrow indicarão se a empresa continuará reduzindo o estoque travado ou renovará contratos em prazos mais longos, como fez em 2018, 2021 e 2024.

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