- Mercado de RWA tokenizados chega a US$ 34,5 bilhões em maio de 2026
- Crédito privado ultrapassa Treasuries como maior segmento fora de stablecoins
- Standard Chartered projeta US$ 30 trilhões em ativos tokenizados até 2034
O mercado de ativos do mundo real tokenizados (RWA) atingiu US$ 34,5 bilhões em maio de 2026, com expansão superior a 100% em 12 meses. O dado, levantado pela plataforma RWA.xyz, marca um salto vertiginoso para um segmento que valia menos de US$ 2 bilhões em 2022.
A multiplicação por mais de 17 vezes em três anos vem sendo bancada por nomes pesados de Wall Street. BlackRock, Ondo Finance e Circle concentram a maior parte das entradas institucionais, segundo dados consolidados pela plataforma RWA.xyz.
Treasuries tokenizadas puxam fluxo institucional
Os títulos do Tesouro americano tokenizados saltaram para US$ 15,20 bilhões, respondendo por mais de 60% do mercado quando medido por ativos sob gestão dos protocolos. O fundo BUIDL, da BlackRock, virou referência para alocadores institucionais que buscam exposição on-chain com rendimento previsível.
A Ondo Finance opera produtos de Treasuries tokenizados com cerca de US$ 2,7 bilhões em valor total bloqueado. Já o USYC, da Circle, lastreado em títulos públicos americanos de curta duração, superou a marca de US$ 2,9 bilhões. Juntos, os três produtos formam a espinha dorsal da entrada institucional no setor.
O movimento reproduz a lógica que já se viu em outros nichos da renda fixa cripto. Antes do boom dos RWA, foram as stablecoins com rendimento que abriram caminho para tesourarias corporativas migrarem caixa para a blockchain.
Crédito privado assume liderança fora das stablecoins
Um deslocamento silencioso virou a chave do mercado. O crédito privado superou os Treasuries e passou a ser o maior segmento de RWA tokenizados quando excluídas as stablecoins. Plataformas que tokenizam empréstimos corporativos e instrumentos de dívida com rendimento atraíram capital que antes só circulava em fundos fechados de private equity.
A mudança tem peso geopolítico. Empresas de menor porte ganham acesso a uma base de credores global, sem precisar passar pelos filtros tradicionais do mercado bancário. Para o investidor institucional, o atrativo é o spread, rendimentos que superam os dos títulos públicos, com liquidez secundária via blockchain.
No Brasil, a tese encontra terreno fértil. A Resolução 88 da CVM, que regulamenta tokens de recebíveis, e o avanço do Drex pelo Banco Central abriram espaço para emissões locais. Bancos como o Itaú e o BTG já operam plataformas próprias de tokenização de ativos. Movimentos recentes, como o anúncio de que o Bradesco vai oferecer custódia de Bitcoin e stablecoins, mostram que a infraestrutura nacional caminha em paralelo ao boom global de RWA.
Projeções de longo prazo dividem analistas
As estimativas para o tamanho futuro do mercado variam dentro de uma faixa ampla. O Standard Chartered projeta que ativos tokenizados podem chegar a US$ 30 trilhões até 2034. Já um estudo conjunto da Ripple com o Boston Consulting Group trabalha com US$ 18,9 trilhões até 2033.
O relatório da Redstone referente ao primeiro trimestre de 2026 apontava crescimento anual de 85%. A leitura de maio já superou esse número. Apenas no primeiro trimestre, o mercado avançou cerca de 25% ritmo que sugere que a marca de 100% ao ano pode ser piso, não teto, para os próximos balanços.
Parte do impulso vem do ambiente regulatório. Nos Estados Unidos, o avanço do CLARITY Act no Senado e a proposta do GENIUS Act criaram corredores legais mais claros para emissores institucionais. Na Europa, o framework MiCA cumpre papel semelhante. A combinação de regras definidas com infraestrutura técnica madura derruba as últimas barreiras para fundos tradicionais lançarem produtos compliant na blockchain.
Para o investidor brasileiro, a leitura prática é direta: o capital institucional que sustenta a tese de longo prazo do Bitcoin já está construindo um segundo pilar paralelo dentro do mesmo ecossistema on-chain.
