- Samson Mow afirma que parede de compras em US$ 58 mil encerrou queda do Bitcoin
- CEO da Jan3 diz que ciclos do BTC aceleraram e invalidam previsões de capitulação
- Mow compara ataques à Strategy a campanha antiga de FUD contra a Tether
O CEO da Jan3 e defensor da tese de Bitcoin a US$ 1 milhão, Samson Mow, decretou o fim da fase de baixa do bitcoin. Para ele, o mercado já encontrou o piso do ciclo atual graças a um bloco massivo de ordens de compra concentrado na faixa de US$ 58 mil.
A leitura contradiz analistas que projetam uma nova capitulação nos próximos meses. Mow argumenta que o comportamento do ativo nesta rodada quebra todos os modelos clássicos. O Bitcoin renovou sua máxima histórica 37 dias antes do halving algo inédito em ciclos anteriores, em que a alta sempre veio depois do evento de redução da emissão.
O BTC opera próximo de US$ 59.960, equivalente a cerca de R$ 310,7 mil, em leve queda de 0,8% nas últimas 24 horas. O ativo recuperou parte do terreno após o flash crash recente que levou a cotação até a região agora apontada como suporte estrutural.
A parede de US$ 58 mil que segurou a queda
Mow sustenta que a estabilização não veio de padrões gráficos, mas de liquidez bruta. O bloco de ordens limitadas posicionado em US$ 58 mil absorveu a pressão vendedora durante o movimento de desalavancagem e impediu um colapso adicional. Na avaliação dele, a recompra bem-sucedida dessa zona fechou a janela para quem ainda esperava comprar mais barato.
O argumento se conecta a um debate que dominou exchanges nas últimas semanas. O tombo até US$ 58 mil foi acompanhado de liquidações pesadas em derivativos e quebrou a chamada linha de power law que servia de referência para projeções de longo prazo. Mesmo assim, o nível segurou em múltiplos testes.
O executivo ataca diretamente quem ainda opera com base em análise técnica tradicional. Em sua publicação no perfil oficial no X, Mow ironiza: se os gráficos realmente prevessem o futuro, traders apenas venderiam no topo e esperariam o fundo, em vez de desenhar linhas infinitamente. Para ele, o método está descolado da realidade.
Ciclos acelerados invalidam previsões de capitulação
A tese central de Mow é que os ciclos do Bitcoin não funcionam mais em janelas previsíveis de quatro anos. Com a antecipação da máxima histórica em relação ao halving, projeções baseadas em capitulação programada para os próximos quatro meses perderiam validade. A leitura entra em rota de colisão com casas como a 21Shares, que reduziu projeções para 2026 mas manteve o modelo de quatro anos como referência.
O debate divide o mercado. De um lado, vozes como a de Cathie Wood defendem que a próxima alta virá da instabilidade macro global. De outro, analistas seguem cautelosos diante da fuga recorrente em ETFs spot de Bitcoin, que somaram saques relevantes no acumulado mensal e ainda não confirmaram retomada de fluxo institucional.
Defesa da Strategy e paralelo com Tether FUD
Mow também entrou no embate em torno da Strategy, empresa de Michael Saylor que virou alvo de críticas pela alavancagem usada para acumular bitcoin. O CEO da Jan3 comparou os ataques ao antigo Tether FUD, que questionava a solvência da emissora do USDT.
Para reforçar o argumento, ele cita os resultados da Tether no primeiro trimestre de 2026, lucro líquido de US$ 1,04 bilhão e ativos totais de US$ 191,77 bilhões. O movimento levou o USDT a superar o Ethereum em valor de mercado, consolidando a segunda posição entre criptomoedas.
No contexto brasileiro, o cenário ganha outra camada. O Banco Central finaliza regras que devem restringir o uso de stablecoins por usuários locais, incluindo a polêmica proposta de travar saques em janelas de até 24 horas. Para brasileiros, US$ 58 mil equivalem a cerca de R$ 300 mil, referência importante para compras em exchanges nacionais.
