Saylor cria métricas próprias enquanto MSTR cai abaixo do valor do Bitcoin

  • Saylor apresenta CEBE BPS e Amplification após queda da ação da MicroStrategy
  • MSTR negocia a 84% do valor bruto dos 845.256 BTC em tesouraria
  • Empresa registrou prejuízo de US$ 12,5 bilhões no 1º trimestre

Michael Saylor apresentou um novo conjunto de indicadores para medir o desempenho da tesouraria de Bitcoin da MicroStrategy enquanto a ação da companhia, negociada sob o ticker MSTR, opera abaixo do valor líquido dos próprios BTC em caixa. O movimento ocorre em meio a um ciclo de questionamentos sobre o limite da estratégia de alavancagem montada pelo executivo desde 2020 e tem como pano de fundo um bitcoin negociado em US$ 64,392, conforme dados desta sexta-feira.

Os dois indicadores apresentados pelo presidente da companhia são o CEBE BPS, que calcula o Bitcoin por ação descontadas as obrigações sêniores, e a Amplification, definida como a diferença entre essa leitura ajustada e o Bitcoin por ação bruto. Nenhum dos termos aparece nos relatórios oficiais enviados à SEC pela empresa.

MSTR negocia com desconto sobre o Bitcoin em caixa

A MicroStrategy detém 845.256 BTC, posição equivalente a cerca de US$ 54 bilhões pelos preços correntes. O preço médio de compra está próximo de US$ 75.700, com base de custo acima de US$ 61 bilhões, o que mantém a tesouraria no vermelho.

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O resultado do primeiro trimestre escancarou esse desequilíbrio. A companhia registrou perda não realizada de US$ 14,5 bilhões e prejuízo líquido de US$ 12,5 bilhões. Mesmo assim, Saylor manteve o programa de compras e ainda promete acelerar a aquisição de novos lotes.

Segundo o Bitcoin Treasuries, a MSTR negocia perto de 0,8 vez seu valor patrimonial líquido ajustado. Na prática, o mercado atribui desconto de cerca de 16% ao valor dos Bitcoins mantidos pela empresa.

Obrigações sêniores passam de US$ 13,5 bilhões

O analista Nic Pucrin, do Coin Bureau, calcula que a MicroStrategy carrega mais de US$ 13,5 bilhões em obrigações entre dívida conversível e ações preferenciais, com remuneração que chega a 11,5% ao ano nos papéis mais recentes. Para ele, qualquer alternativa pressiona acionistas, aumenta obrigações financeiras ou transmite sinal negativo ao mercado.

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Quinn Thompson, da Lekker Capital, foi direto ao chamar o modelo de “venda de uma nota de 80 centavos para comprar uma nota de um dólar”, referência ao desconto da ação em relação à tesouraria. O ex-banqueiro Pius Sprenger criticou as métricas propostas, classificando-as como tentativa de mudar a régua de avaliação no momento mais delicado da estratégia.

A empresa afirma que seus indicadores não são métricas de valuation e não garantem acesso direto aos Bitcoins. Esse alerta legal ganhou peso depois que a empresa fez, no fim do trimestre passado, sua primeira venda de BTC desde 2022.

Efeito em tesourarias corporativas no Brasil

O caso interessa ao investidor brasileiro porque empresas globais já replicam o modelo da MicroStrategy em vários mercados. Ambos representam novas fontes de demanda, ausentes nos ciclos anteriores dominados por varejo especulativo e alavancagem.

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O ambiente também ficou mais hostil. Os ETFs spot de Bitcoin acumulam saídas bilionárias em junho, enquanto mineradores enfrentam capitulação com margens próximas a 4,67%. Para Saylor, a tese depende da alta do Bitcoin; sem ela, o valor ao acionista diminui.

A janela de decisão segue aberta. A MicroStrategy não suspendeu o programa ATM de emissão de ações e prepara nova rodada de captação via preferenciais. Investidores agora monitoram se o próximo movimento virá pelo lado do preço do Bitcoin ou por uma reestruturação de capital antes do fechamento do ano fiscal.

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