Estrategista da Schwab defende manobra da Strategy com STRC

  • Ferraioli, da Schwab, diz que STRC ganhou fôlego após dividendo de 12%
  • Strategy autorizou US$ 2 bilhões em recompra e liberou venda de BTC
  • Bitcoin opera perto de US$ 61 mil, cerca de 50% abaixo do topo histórico

A Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo, encontrou uma tábua de salvação temporária no meio da correção do mercado. É o que avalia Jim Ferraioli, diretor de pesquisa e estratégia em cripto do Schwab Center for Financial Research, ao comentar as manobras recentes da companhia comandada por Michael Saylor.

Em entrevista ao programa Morning Trade Live, transmitido da Bolsa de Nova York, Ferraioli disse que o mercado validou as decisões tomadas para conter o pânico em torno da ação preferencial de taxa variável STRC. O papel havia derretido de US$ 100 (valor de face) para perto de US$ 70 antes da reação recente.

O que a Strategy fez para defender o STRC

Para segurar a paridade, a companhia elevou o dividendo do STRC para 12%, autorizou até US$ 2 bilhões em recompra dos próprios papéis e destravou vendas pontuais de Bitcoin em tesouraria. A ação começou a subir de volta em direção ao par.

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“O mercado apoia essas ações”, resumiu Ferraioli, para quem o movimento afasta, ao menos por ora, o cenário de liquidações em cascata.

A mudança de postura, no entanto, é significativa para uma empresa que fez da promessa de nunca vender BTC parte da sua marca.

“Passamos de nunca vender Bitcoin para vender Bitcoin estrategicamente”, reconheceu o estrategista, classificando como legítimas as críticas ao giro de discurso.

A Strategy já liquidou 3.588 BTC para honrar dividendos de suas classes preferenciais, e a Binance chegou a listar o STRC na sua vitrine de derivativos e produtos estruturados.

Múltiplo menor limita nova rodada de compras

Ferraioli vê risco, múltiplo comprimido limita emissões da Strategy e reduz fôlego para ampliar tesouraria corporativa em Bitcoin. Ou seja, o modelo que funcionou em 2024 e 2025 depende de uma reação do preço do Bitcoin, hoje cotado a cerca de US$ 61.819, aproximadamente 50% abaixo do pico histórico.

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Não à toa, críticos ganharam voz. Peter Schiff acusou Saylor de fraude e vê a companhia pressionando o preço do BTC quando precisa gerar caixa. Investidores também questionaram a comunicação da empresa em outros episódios, incluindo um processo movido por traders contra a Polymarket ligado à venda de Bitcoin da Strategy.

Trump Accounts abrem nova porta de demanda

Estrategista da Schwab comentou repique recente após Trump sinalizar abertura para Bitcoin no novo programa americano Trump Accounts. Ferraioli enxerga aí uma classe extra de compradores, ao lado do fluxo institucional que já entra via ETFs à vista.

“O mercado de cripto adora narrativas”, disse, definindo o ativo como movido por momentum.

Bitcoin virou ativo descorrelacionado de tecnologia e subiu mesmo em rodadas de força do dólar em 2025, diz.

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Iene e carry trade entram no radar

Ferraioli citou o par dólar-iene, negociado perto de mínimas de 40 anos, como fator a monitorar. Um iene mais forte pode desmontar o carry trade, operação em que investidores vendem a moeda japonesa para comprar ativos de risco. Não é o risco número um do Bitcoin no curto prazo, ponderou, mas pode virar vento contrário para tudo o que é risco global.

Estrategista diz que ouro subiu por oferta restrita e momentum, não por medo fiscal, preservando tese do Bitcoin. A visão completa está no comentário original de Ferraioli. Para o investidor brasileiro, que compra BTC pagando um dólar a R$ 5,16, cada movimento da tesouraria de Saylor virou termômetro tão importante quanto os dados do payroll.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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