- SpaceX pretende captar US$ 75 bilhões a US$ 135 por ação e avaliar empresa em US$ 1,77 trilhão
- Musk manterá 82,4% do poder de voto e fatia de US$ 841 bilhões após oferta
- Grayscale estima que SpaceX guarda exposição de US$ 1,4 bilhão em Bitcoin no caixa
A SpaceX protocolou na SEC os documentos do que pode se tornar o maior IPO da história. A empresa de Elon Musk planeja vender 555,6 milhões de ações a US$ 135 cada, levantando US$ 75 bilhões e atingindo avaliação de US$ 1,77 trilhão.
O número supera com folga os US$ 29,4 bilhões captados pela Saudi Aramco em 2019, até então o recordista global. A estreia em bolsa está prevista para a próxima sexta-feira, condicionada a aprovações finais e ao apetite do mercado, segundo o pedido enviado ao regulador americano.
O timing chama atenção. A oferta chega justamente quando o Bitcoin recua para US$ 62.301 (R$ 318 mil), com queda de 6,4% em 24 horas, e os ETFs spot acumulam dias consecutivos de saques. Uma operação dessa magnitude tende a sugar liquidez de outros ativos de risco e cripto entra na mesma cesta nos modelos de alocação institucional.
Musk mantém 82,4% do poder de voto
Embora reduza sua participação econômica para cerca de metade do capital, Musk sai do IPO com controle reforçado. O pedido detalha que parte das ações do fundador carrega direitos de voto ampliados, totalizando 82,4% do poder decisório após a abertura.
Pelo preço de US$ 135, a fatia de Musk na SpaceX vale aproximadamente US$ 841 bilhões. Somada à Tesla, a fortuna de Musk poderia alcançar US$ 1,1 trilhão, marca inédita para indivíduos.
O arquivamento na SEC também confirma que os recursos financiarão foguetes, expansão da Starlink, infraestrutura de inteligência artificial e data centers espaciais. Em fevereiro, a SpaceX absorveu a xAI, companhia de IA ligada à plataforma X, e passou a tratar o segmento como pilar de longo prazo.
Grayscale estima US$ 1,4 bilhão em Bitcoin no caixa
Um detalhe pouco discutido transforma o IPO em evento direto para o mercado cripto. Análise recente da Grayscale aponta que a SpaceX mantém uma posição estimada em US$ 1,4 bilhão em Bitcoin no balanço exposição que nunca foi confirmada oficialmente, mas que tende a aparecer nos relatórios trimestrais assim que a empresa virar listada.
Se confirmada, a SpaceX entrará para o grupo restrito de gigantes corporativos com BTC em tesouraria, ao lado de Strategy e Tesla. A diferença é que, com o ticker negociado em bolsa, fundos passivos e ETFs de tecnologia carregarão exposição indireta ao ativo digital o mesmo mecanismo que ampliou o efeito Strategy no ciclo anterior.
Para o investidor brasileiro, o detalhe importa porque BDRs da SpaceX devem aparecer na B3 nos meses seguintes ao IPO, replicando o caminho já trilhado por Tesla e Apple. Investidores ganham mais uma alternativa para acessar criptomoedas via ações, sem depender de exchanges ou custódia digital.
Oferta pressiona liquidez global em momento delicado
O tamanho da operação preocupa gestores. Uma saída de US$ 75 bilhões supera várias vezes o volume diário negociado por ações menores americanas. Parte desse capital virá de realocação fundos vendendo posições existentes para comprar SpaceX.
Bitcoin e altcoins estão entre os candidatos a sofrer rotação. Os ETFs spot de BTC já registram saques contínuos, e relatório da Binance Research aponta que ações americanas vêm absorvendo capital antes destinado a cripto desde o segundo trimestre.
A SpaceX também alertou no pedido que novas ofertas de ações podem ser necessárias nos próximos anos. Foguetes, satélites, sistemas de computação e infraestrutura de IA exigem capital intensivo e a empresa ainda não é geradora líquida de caixa nessas frentes.
Anthropic já anunciou planos de IPO e a OpenAI deve seguir o mesmo caminho. A fila de listagens de IA no horizonte próximo soma centenas de bilhões em demanda por capital, ampliando a competição direta por liquidez que historicamente fluía para Bitcoin em ciclos de risco-on.
