SpaceX estreia na Nasdaq com alta de 21%

  • SpaceX abre a US$ 150 na Nasdaq, alta de 11% sobre preço do IPO
  • Oferta levanta US$ 75 bilhões e avalia empresa em US$ 1,78 trilhão
  • Backpack emite ações tokenizadas na Solana e Hyperliquid lista perpétuo SPCX

aA SpaceX estreou nesta sexta-feira (12) na Nasdaq sob o ticker SPCX e abriu o pregão a US$ 160 por ação, valorização de 21% em relação ao preço fixado no IPO, de US$ 135. A oferta levantou US$ 75 bilhões com a venda de 555,6 milhões de papéis. Isso colocou a companhia de Elon Musk em uma avaliação entre US$ 1,77 trilhão e US$ 1,78 trilhão. Desse modo, superou o recorde da saudita Aramco em 2019.

O movimento, porém, não ficou restrito a Wall Street. Em paralelo ao sino da Nasdaq, versões tokenizadas das ações começaram a circular na rede Solana. Além disso, uma exchange descentralizada listou um derivativo perpétuo do papel antes mesmo da abertura oficial.

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A precificação ocorreu em 11 de junho de 2026, com livro de ofertas fortemente sobre-subscrito. Diferentemente do padrão de mega-IPOs, a SpaceX reservou uma fatia relevante para o varejo. Essa decisão é incomum em operações desse porte e ajudou a alimentar a demanda secundária no debut.

Fundada em 2002, a empresa só formalizou o caminho para a bolsa após registros confidenciais na SEC. Depois disso, houve uma temporada de roadshows com gestoras globais. O salto de 11% no primeiro dia confirma o apetite institucional. No entanto, embute uma ressalva: comprar a US$ 135 e comprar a US$ 150 são teses diferentes. Isso é ainda mais notável em um múltiplo que já incorpora décadas de execução perfeita em foguetes reutilizáveis e na constelação Starlink.

Para o investidor brasileiro, o IPO chega em um momento delicado para cripto. Analistas vinham apontando que uma operação de US$ 75 bilhões tende a drenar liquidez de ativos de risco, incluindo Bitcoin. O BTC opera nesta sexta a US$ 63.718, com alta moderada de 1,6% em 24 horas. Isso ocorre depois de semanas marcadas por saídas relevantes nos ETFs spot.

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Backpack leva ações da SpaceX para Solana

A infraestrutura de tokenização foi montada pela Backpack, que passou a oferecer emissão, negociação on-chain e resgate das ações sintéticas diretamente na Solana. O movimento amplia o catálogo de ações dos EUA disponíveis na rede. Atualmente, já abriga versões tokenizadas de papéis como Apple, Nvidia e Tesla por meio de provedores como xStocks.

A escolha da Solana não é casual. A blockchain consolidou-se como o ambiente preferido para ativos do mundo real com alta frequência de negociação. Isso ocorre graças ao custo de transação na casa de centavos e blocos rápidos. O SOL é negociado a US$ 67,35 nesta sexta, com avanço de 2,7% no dia. Ele reage também ao fluxo gerado pela nova classe de ativos listados.

Já a Hyperliquid lançou um contrato perpétuo liquidado em dinheiro atrelado à SpaceX, também sob o ticker SPCX. O derivativo, sem data de vencimento, vinha funcionando como termômetro do sentimento cripto-nativo dias antes da abertura do pregão tradicional. Assim, criou-se uma espécie de mercado paralelo de preço descoberto.

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CVM ainda não regulamenta ações tokenizadas

Aqui está o ponto que poucos artigos abordam: o brasileiro que comprar SPCX tokenizado via Backpack ou abrir posição na Hyperliquid não tem as mesmas proteções de quem opera diretamente na Nasdaq via corretora habilitada. Não há SIPC, não há fundo garantidor. A custódia é responsabilidade do próprio usuário ou do emissor sintético.

No Brasil, a CVM tem sinalizado foco em tokenização, mas ações estrangeiras emitidas on-chain ainda operam em zona cinzenta. O regulador exige que ofertas públicas no país sigam regras específicas. No entanto, ativos sintéticos negociados em DEXs internacionais não passam por esse filtro. Investidores que comprarem SPCX em Solana precisam tratar a posição como exposição cripto, não como ação tradicional. Isso se aplica inclusive para fins de declaração no Imposto de Renda.

Hyperliquid precifica SPCX antes do pregão

O mesmo ativo agora circula simultaneamente em três trilhos: a bolsa de Nova York, a Solana e uma exchange perpétua descentralizada. Dados de funding do perpétuo na Hyperliquid mostraram pressão compradora nas horas que antecederam o sino. Assim, anteciparam a abertura em US$ 150. A convergência entre os preços on-chain e off-chain ao longo do dia será o primeiro teste de eficiência desse tipo de listagem dupla. Além disso, tende a definir o modelo para futuras estreias corporativas no formato híbrido.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
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