Oferta de stablecoins encolhe US$ 3 bilhões ao mês e trava Bitcoin

  • Entrada de stablecoins em exchanges está 31% abaixo da média anual
  • Capitalização combinada de USDT e USDC recua cerca de US$ 3,2 bilhões no mês
  • CryptoQuant compara cenário atual ao colapso de liquidez visto em 2022

A oferta de stablecoin parou de crescer e virou uma das principais explicações para a fraqueza recente do Bitcoin. Dados da CryptoQuant mostram que as entradas mensais de dólares tokenizados em corretoras despencaram, drenando o combustível que normalmente sustenta a recuperação do BTC.

Segundo levantamento do analista Axel Adler Jr., os fluxos de USDT e USDC para exchanges estão 31% abaixo da média anual. A leitura indica que investidores estão retirando dinheiro em vez de aportar novo capital no mercado spot.

Entrada em exchanges cai para US$ 2,65 bi

A média móvel de 30 dias das transferências de stablecoins para corretoras recuou de US$ 3,2 bilhões em meados de maio para cerca de US$ 2,65 bilhões. A média anual, referência de fluxo saudável, segue perto de US$ 3,86 bilhões patamar hoje distante do observado no dia a dia.

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O comportamento também aparece na oferta total. A soma da capitalização de Tether e Circle, que rodava próxima de estagnação em maio, migrou para uma contração de aproximadamente US$ 3,2 bilhões no acumulado do último mês. Menos dólares tokenizados em circulação significa menos poder de compra disponível para absorver ofertas de venda em BTC, ETH e altcoins.

Adler resume a mecânica, quando o supply de stablecoins expande, a demanda por cripto tende a acompanhar, quando encolhe, a liquidez seca e o preço sente. Desde meados de maio, o segundo cenário prevalece e o Bitcoin registrou queda em torno de 19% naquele mês, seguida por outra perda próxima de 20,5% em junho.

Transferências on-chain quase caem pela metade

A retração aparece também nos dados on-chain. O volume mensal de transferências de USDT e USDC na rede Ethereum saiu de US$ 2,84 trilhões em março para cerca de US$ 1,5 trilhão em maio, com leve recuperação em junho. É a métrica que melhor captura movimentação real de dinheiro entre carteiras, exchanges e protocolos.

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Vale lembrar que Ethereum e Tron concentram 81% do supply global de stablecoins, o que torna essas duas redes um termômetro confiável do apetite de risco. Se a atividade minguou nelas, o mercado como um todo está desacelerando.

Paralelo com o bear market de 2022

O padrão atual guarda semelhanças com o ciclo baixista de 2022. Naquele ano, o supply de stablecoins recuou 34% e o Bitcoin perdeu cerca de 43% do valor. Agora, a contração é bem mais suave o pico de US$ 321 bilhões em stablecoins caiu apenas 4,4%, mas o BTC já acumula tombo de aproximadamente 32% em relação às máximas anuais.

A comparação sugere que o mercado está mais frágil do que os números absolutos indicam: uma retração pequena na base monetária cripto está bastando para produzir movimentos de preço amplificados. A leitura complementa outros sinais recentes, como o NUPL apontado pela CryptoQuant, que ainda não confirma um fundo formado.

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Efeito no Brasil com BTC a R$ 319 mil

Para o investidor brasileiro, a leitura é dupla. No exterior, o Bitcoin opera em US$ 62.000, o equivalente a R$ 319.783 na cotação atual, com queda de 3,2% em 24 horas. Ethereum recua para US$ 1.735 e Solana perde 6% no mesmo intervalo comportamento coerente com liquidez em contração.

Fonte: coinmarketcap

No mercado local, o cenário reforça a relevância do movimento da Tether no Mercado Bitcoin, em ambiente de emissão global mais lenta, cada centro regional de distribuição de USDT ganha peso estratégico. Também torna mais sensível o efeito de fluxos institucionais, como os US$ 5,4 bilhões sacados dos ETFs de Bitcoin no primeiro semestre.

Emissões crescentes de stablecoins podem antecipar retomada rápida, com aportes da Tether precedendo novas altas relevantes do BTC. Enquanto isso não ocorre, o dado publicado pela CryptoQuant segue como um dos indicadores mais objetivos para medir a saúde da demanda em cripto.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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