- Strategy retira 411,5 BTC da Coinbase Prime cinco horas após depósito que assustou o mercado
- Empresa de Saylor segue com 843.738 BTC e está sem comprar desde 18 de maio
- BitMine de Tom Lee aproveita queda e adiciona 25 mil ETH por US$ 50,6 milhões
A Strategy, antiga MicroStrategy e maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo, desfez em poucas horas o movimento que mais assustou o mercado cripto nesta semana. A companhia de Michael Saylor retirou 411,5 BTC da Coinbase Prime cinco horas depois de ter depositado o mesmo montante, equivalente a cerca de US$ 30,2 milhões.
O depósito original havia sido sinalizado por rastreadores on-chain como a primeira transferência direta da empresa para uma exchange em quase dois anos. A operação foi fracionada em dois lotes de aproximadamente 205 BTC cada, acompanhados por movimentações menores em carteiras secundárias.
O recuo que acalmou o mercado
A reversão veio em momento sensível. Dias antes, Saylor havia admitido publicamente que a Strategy poderia desfazer parte da posição em BTC até o fim do ano para honrar pagamentos de dividendos e necessidades de capital. A declaração bastou para mexer com a precificação em mercados de previsão.
No Polymarket, as apostas em uma eventual venda de Bitcoin pela companhia em 2026 ultrapassaram 90% logo após o depósito na Coinbase Prime. Mesmo com a retirada subsequente, as odds não retornaram aos níveis anteriores o estrago narrativo já estava feito.
“A Strategy de Michael Saylor cancelou a venda de BTC? A empresa retirou 411,5 BTC (US$ 30,2 milhões) de volta da Coinbase Prime cinco horas atrás”, apontou a Lookonchain em publicação no X.
A leitura corrente entre traders é que o depósito pode ter sido um teste operacional, uma negociação OTC abortada ou simplesmente uma movimentação de tesouraria mal interpretada pelo mercado. O Bitcoin negocia perto de US$ 73.719, ou aproximadamente R$ 372,9 mil, com variação modesta nas últimas 24 horas.
Estoque bilionário e pausa incomum
Mesmo com a retirada, o pano de fundo permanece delicado. A Strategy ainda detém 843.738 BTC, posição avaliada acima de US$ 62 bilhões. Mais sintomático, a empresa não compra Bitcoin desde 18 de maio a maior pausa já registrada em seu programa semanal de acumulação.
O hiato coincide com sinais mais amplos de arrefecimento na demanda corporativa por BTC como ativo de tesouraria. Outras companhias listadas seguiram o roteiro de Saylor durante o ciclo de alta, mas começam a recalibrar conforme o preço do Bitcoin patina abaixo de US$ 75 mil. Para o investidor brasileiro, o sinal é duplo, por um lado, a maior compradora de balcão do planeta está fora do mercado, por outro, ela não está vendendo uma diferença crucial em momentos de baixa liquidez.
O caso também acende debate sobre transparência. No Brasil, exchanges domésticas como Mercado Bitcoin e Foxbit operam sob as novas regras do Banco Central que exigem reporte de grandes movimentações. Um episódio como o da Strategy ficaria visível ao regulador local em horas, não em ciclos de rastreamento on-chain.
BitMine compra na queda do Ethereum
Enquanto o mercado dissecava cada passo de Saylor, a BitMine Immersion Technologies, de Tom Lee, seguia rota oposta. A empresa adquiriu 25 mil ETH por US$ 50,56 milhões aproveitando a queda do ativo abaixo de US$ 2.100.
A operação elevou a posição da BitMine para cerca de 5,39 milhões de ETH algo próximo de 4,47% do supply total, perto da meta de 5% estabelecida por Lee para o ano. Cerca de 4,7 milhões desses tokens estão em staking pela rede Made in America Validator, gerando um rendimento anualizado estimado em US$ 276 milhões.
O Ethereum opera próximo de US$ 2.015, ou cerca de R$ 10.198, após queda mensal de aproximadamente 10%. Lee enxerga a fraqueza como janela de compra, sustentado por argumentos de crescimento da tokenização e demanda por computação para IA. Aportes mantidos por ARK Invest e Founders Fund ajudam a financiar a tese, embora a ação BMNR negocie abaixo do valor patrimonial líquido.
O contraste com baleias antigas é evidente. Na mesma janela, um endereço veterano de ETH vendeu 55 mil tokens (US$ 112,25 milhões) e 9.442 wstETH (US$ 24 milhões) a preço médio de US$ 2.041, segundo dados on-chain. A divisão entre acumulação institucional e distribuição por baleias históricas do Ethereum é o dilema atual do ativo.
