- Strategy comprou 1.550 BTC por US$ 101 milhões em 8 de junho
- Reserva total da empresa chega a 845.256 bitcoins após nova aquisição
- Caixa em dólar sobe a US$ 1 bilhão e reduz dependência de vendas futuras
A Strategy voltou ao modo de acumulação. A companhia comandada por Michael Saylor comprou 1.550 BTC por cerca de US$ 101 milhões no dia 8 de junho de 2026, exatamente uma semana após registrar a primeira venda líquida de bitcoin em quatro anos. O movimento eleva a reserva corporativa a 845.256 BTC, mantendo a empresa como a maior detentora pública do ativo no mundo.
O anúncio foi feito por Saylor em uma publicação no X, acompanhada da atualização do gráfico de acumulação que o executivo costuma divulgar a cada novo aporte. Dias antes, ele havia sinalizado a intenção de “adicionar mais alguns pontos” ao gráfico referência direta ao retorno das compras.
A nova aquisição saiu a um preço médio próximo de US$ 65.161 por moeda. Nesta segunda-feira, o Bitcoin é negociado a US$ 63.413, ou cerca de R$ 324,2 mil na conversão pelo dólar a R$ 5,15. A operação ocorre, portanto, em um patamar próximo ao custo médio histórico declarado pela empresa nos últimos meses.
Venda de 32 BTC derrubou MSTR em 6%
O retorno às compras encerra ao menos por ora um debate que tomou conta do mercado na última semana. Entre 26 e 31 de maio, a Strategy vendeu 32 BTC por aproximadamente US$ 2,5 milhões, a um preço médio de US$ 77.135 por moeda, conforme formulário 8-K protocolado em 1º de junho. O valor obtido foi destinado a pagamentos de dividendos da ação preferencial perpétua STRC.
A venda equivaleu a apenas 0,0038% da reserva total. O simbolismo, porém, abalou o mercado. Saylor havia repetido publicamente por anos que jamais venderia bitcoin. Após o filing, as ações da MSTR caíram cerca de 6% e o BTC perdeu o patamar de US$ 72 mil em poucas horas. O mercado liquidou mais de US$ 93 milhões em posições futuras em apenas uma hora, e posições compradas responderam por 95% desse total.
O crítico Peter Schiff atacou no X, questionando “de onde virá a nova demanda agora que o maior comprador virou vendedor”. Analistas de Wall Street, por outro lado, classificaram a transação como economicamente irrelevante uma jogada tática para honrar dividendos preferenciais, não uma mudança de doutrina. A reação de Saylor à venda anterior incluiu até uma classificação dos bitcoiners em “quatro tribos”, tentativa de reorganizar a narrativa em torno da empresa.
Caixa em dólar sobe a US$ 1 bilhão
O comunicado de 8 de junho trouxe um segundo dado relevante: a reserva em dólar da Strategy subiu US$ 100 milhões e atingiu a marca de US$ 1 bilhão. O reforço de liquidez em moeda fiduciária reduz a necessidade de novas vendas de BTC para cobrir dividendos da STRC nos próximos trimestres exatamente o gatilho que provocou o estresse na semana anterior.
A diferença em relação ao episódio de dezembro de 2022, quando a então MicroStrategy vendeu 704 BTC, está na natureza da operação. Naquele caso, tratava-se de planejamento tributário, com recompra dois dias depois. A venda de maio de 2026 foi estruturalmente diferente: ligada à obrigação de pagamento de uma classe específica de ação preferencial.
Antes mesmo do anúncio, a projeção do Standard Chartered indicava que a Strategy poderia retomar a acumulação com volume próximo de 3.200 BTC. O resultado ficou abaixo da estimativa, mas confirmou a tese de que a venda foi pontual.
Strategy já acumula 2,6 vezes o Bitcoin minerado em 2026
Com a nova compra, a empresa de Saylor possui mais de 2,6 vezes o total de BTC emitido pela rede ao longo de 2026, segundo as próprias divulgações da companhia. O cenário ocorre em meio a forte rotação de fluxo institucional, na semana passada, traders monitoraram a pressão de baleias na Binance, com depósitos elevados em momentos coincidentes ao filing da Strategy.
Para o investidor brasileiro exposto a Bitcoin via exchanges locais ou ETFs negociados na B3, o aporte sinaliza que o principal comprador corporativo do ativo segue ativo na faixa atual de preço variável relevante na hora de calibrar exposição em um mercado que tenta firmar fundo após semanas de correção.
