- Strategy fecha recompra de US$ 1,5 bilhões em notas conversíveis com vencimento em 2029
- Operação será paga com caixa, ações e possível venda de parte do estoque de Bitcoin
- Empresa segue como maior detentora corporativa de BTC, com 818.869 unidades em tesouraria
A Strategy, antiga MicroStrategy, comunicou à SEC a recompra de US$ 1,5 bilhão em principal de notas conversíveis seniores com vencimento em 2029. O movimento foi confirmado por Michael Saylor em publicação no X no dia 15 de maio e reabre o debate sobre a possibilidade de a maior tesouraria corporativa de bitcoin do mundo se desfazer de parte de suas moedas.
Segundo o Formulário 8-K protocolado em 14 de maio, a empresa pagará cerca de US$ 1,38 bilhão em dinheiro pela operação, fechada em transações privadas negociadas diretamente com detentores dos papéis. O valor final ainda pode oscilar, já que parte do cálculo depende do preço médio ponderado por volume das ações classe A em um período de medição acordado entre as partes.
De onde vem o dinheiro
O ponto mais sensível do comunicado está na origem dos recursos. A Strategy admitiu, em texto oficial, que a recompra será financiada por uma combinação de três fontes, caixa disponível, captação via emissão de ações pelo programa at-the-market e, eventualmente, venda de bitcoin.
A última opção rompe, ao menos no papel, com a postura “Never Sell” que Saylor sustenta publicamente desde 2020. Há poucos dias, o CEO Phong Le já havia sinalizado cenários em que parte do estoque poderia ser usada para gerar valor ao acionista, como pagamento de dividendos. Resta saber se a recompra de dívida será enquadrada nessa exceção.
A companhia mantém 818.869 BTC em tesouraria, avaliados em torno de US$ 66 bilhões aos preços correntes. Qualquer venda relevante seria monitorada de perto pelo mercado, dado o peso da Strategy nos fluxos institucionais. Para o investidor brasileiro exposto a bitcoin via exchanges locais ou ETFs listados na B3, uma realização parcial poderia pressionar o preço no curto prazo e amplificar a volatilidade em reais, sobretudo em janelas de liquidez reduzida no fim de semana.
Por que a recompra favorece acionistas
Retirar notas conversíveis do balanço tem efeito direto sobre a estrutura de capital. Sem esses papéis em circulação, cai o risco de diluição futura, já que os credores deixam de ter a opção de converter dívida em ações ordinárias. Para detentores da classe A, o resultado tende a ser positivo no médio prazo, mesmo com o desembolso bilionário.
A operação também simplifica o passivo da empresa em um momento de juros elevados nos Estados Unidos. Antecipar a quitação de papéis de 2029 reduz o custo financeiro futuro e libera a Strategy para emitir novos instrumentos com termos mais alinhados ao ciclo atual caminho que a companhia já trilha com sua linha de ações preferenciais.
STRC bate recorde de volume na véspera
O anúncio veio um dia depois de a STRC, ação preferencial perpétua de taxa variável da Strategy, registrar volume diário recorde de US$ 1,53 bilhão em 14 de maio. O número supera com folga a marca anterior, de US$ 1,1 bilhão, atingida em 13 de abril, e mostra apetite institucional pelo instrumento que tem financiado a estratégia de acúmulo de bitcoin.
Estimativas indicam que a movimentação em STRC pode render cerca de US$ 735 milhões para novas compras de BTC. O contraste é evidente: enquanto um veículo capta recursos para adicionar moedas ao balanço, outro pode forçar a saída parcial do mesmo ativo para honrar a dívida. A engenharia de capital de Saylor opera nas duas pontas simultaneamente. Detalhes do recorde de volume do STRC ajudam a entender o pano de fundo da operação.
A concorrência também se mexe. A Strive lançou recentemente o SATA com dividendo diário para disputar espaço com o instrumento de Saylor, sinal de que o modelo de tesourarias de bitcoin financiadas por preferenciais virou tendência entre empresas listadas. O comunicado oficial da Strategy à SEC pode ser consultado no EDGAR.
