- Strategy adiciona 1.587 BTC por US$ 100 milhões e atinge 846.842 bitcoins
- Caixa em dólar sobe para US$ 1,1 bilhão após novo aporte de US$ 100 milhões
- Compra ocorre duas semanas após venda-teste de 32 BTC gerar dúvidas no mercado
A Strategy, antiga MicroStrategy, voltou ao mercado comprador e adquiriu mais 1.587 BTC por cerca de US$ 100 milhões. O anúncio foi feito por Michael Saylor em sua conta no X nesta segunda-feira (15), com a já tradicional referência à “Orange Star” que costuma antecipar novos aportes da companhia.
Com a operação, a tesouraria da empresa subiu para 846.842 BTC, posição que segue como a maior entre companhias de capital aberto no mundo. Considerando o Bitcoin negociado em US$ 66.560, a carteira tem valor de mercado próximo de US$ 56 bilhões. Em reais, o ativo é cotado a R$ 339.870, com alta de 3,5% nas últimas 24 horas.
O movimento veio acompanhado de outro reforço relevante. A Strategy também elevou seu caixa em dólar em US$ 100 milhões, levando a reserva líquida a US$ 1,1 bilhão. É a segunda rodada consecutiva em que a empresa amplia simultaneamente a posição em BTC e a liquidez em moeda fiduciária sinal de que Saylor pretende manter capacidade de pagamento de dividendos sem precisar liquidar moedas.
Venda-teste de 32 BTC precedeu recompra
O anúncio chega duas semanas depois de uma operação atípica. Entre 26 e 31 de maio, a Strategy vendeu 32 BTC por cerca de US$ 2,5 milhões, a um preço médio de US$ 77.135 por moeda. Foi a primeira venda declarada da companhia em anos, e parte do mercado interpretou o gesto como mudança de estratégia.
O CEO Phong Le precisou vir a público para explicar. Segundo ele, a operação foi apenas um teste de sistemas internos da tesouraria, não uma necessidade de caixa para honrar obrigações com acionistas preferenciais. O executivo lembrou que a empresa ainda dispõe de instrumentos como emissão de ações ordinárias e preferenciais para captar recursos.
A nova compra praticamente encerra o debate. A diferença é de quase 50 vezes em favor da aquisição, e a empresa segue como compradora líquida no período. Vale lembrar que, no início de junho, a Strategy já havia adquirido 1.550 BTC por aproximadamente US$ 101,3 milhões operação detalhada em cobertura anterior do BitNotícias.
Modelo da Strategy depende de três pilares
O ciclo recente mostra como o modelo financeiro da companhia ficou mais complexo. Não basta acumular Bitcoin, a empresa precisa equilibrar três variáveis ao mesmo tempo o preço do BTC, o acesso aos mercados de capitais para emitir dívida e ações, e a gestão das obrigações periódicas atreladas às séries preferenciais STRC e MSTR.
Saylor tem buscado mostrar aos investidores que a estratégia segue funcionando mesmo com o BTC longe das máximas históricas. O executivo passou a divulgar métricas próprias, como CEBE e BPS Amplification, para defender o prêmio das ações em relação ao valor da tesouraria. A discussão ganhou peso depois que a MSTR chegou a operar abaixo do valor intrínseco do Bitcoin em caixa, algo inédito desde 2022.
Para o investidor brasileiro, o sinal é duplo. De um lado, há um reforço institucional importante em meio à recente onda de saques nos ETFs spot, que retirou US$ 4,4 bilhões da categoria. Quando a maior tesouraria corporativa do mundo volta a comprar, parte do fluxo vendedor é absorvido fora dos ETFs. De outro, a manutenção de US$ 1,1 bilhão em caixa indica que mesmo Saylor referência do hodl institucional agora opera com colchão de liquidez maior do que em ciclos anteriores.
