- Strategy vendeu 3.588 BTC em uma semana e captou US$ 216 milhões
- Ki Young Ju projeta próximo ciclo parabólico com trilhões em capital institucional
- Grayscale e DWF Labs veem vendas como positivas para preço do Bitcoin
A guinada da Strategy, empresa de Michael Saylor, no papel de compradora incondicional de bitcoin reacendeu o debate sobre o próximo grande movimento do ativo. Enquanto críticos apontam pressão vendedora à frente, gestores institucionais e o fundador da CryptoQuant defendem leitura oposta, o mercado está maduro o bastante para absorver as vendas e ainda tem gasolina para um novo ciclo parabólico.
A empresa comandada por Saylor confirmou a segunda venda em poucas semanas, desovando 3.588 BTC entre 29 de junho e 5 de julho por cerca de US$ 216 milhões. Mesmo com a desova, o tesouro corporativo ainda soma 843.775 BTC, o maior estoque de bitcoin em mãos privadas do planeta. As reservas em caixa subiram para aproximadamente US$ 2,55 bilhões.
O bitcoin é negociado nesta sexta-feira a US$ 63.999, com alta de 1,2% em 24 horas, cotação equivalente a R$ 327.548 na conversão pelo dólar comercial. O nível reflete um mercado que absorveu a notícia sem colapso exatamente o argumento central dos gestores que apoiam a nova política da Strategy.
DWF Labs vê ETFs cobrindo a oferta de Saylor
Andrei Grachev, sócio-gestor da DWF Labs, afirmou à CCN que a operação foi bem sinalizada ao mercado e absorvida no mesmo dia por fluxo de ETFs à vista. Para ele, a demanda institucional passou a ser um vetor de preço mais relevante do que o movimento pontual de uma tesouraria corporativa.
“A Strategy vendeu e ainda assim o preço subiu, porque a demanda dos ETFs voltou no mesmo momento”, disse Grachev.
Segundo o gestor, o mercado precifica hoje clareza acima de volume, investidores absorvem uma venda comunicada sem estresse, enquanto pequenas operações inesperadas podem detonar pânico.
Grachev reconhece, porém, que a mudança altera o caráter do investimento na Strategy. Por anos, a empresa foi um comprador alavancado unidirecional. Agora, precisa ser analisada como qualquer balanço com dívida, com foco em gestão de liquidez.
“A tese não está quebrada, mas ‘eles só compram’ saiu da equação”, resumiu.
Ki Young Ju projeta US$ 1 trilhão em capital novo
O fundador da CryptoQuant, Ki Young Ju, sustenta que o bitcoin ainda tem um ciclo parabólico pela frente desde que a adoção institucional acelere. Em publicação no X, ele mostrou como cada dobra de preço fica mais cara, em 2011, bastavam US$ 5 milhões de fluxo líquido para dobrar o BTC, no ciclo atual, foram necessários US$ 101 bilhões.
Segundo Ju, o mercado absorveu cerca de US$ 697 bilhões em capital líquido no ciclo vigente, gerando retorno de 689%. Para uma nova pernada parabólica, ele estima que serão precisos trilhões de dólares em entradas e uma absorção adicional de US$ 1 trilhão em capitalização realizada. A referência comparativa é o ouro, com valor de mercado próximo a US$ 27 trilhões.
Grayscale endossa tese do piso mais firme
A leitura da DWF Labs converge com relatório recente da Grayscale Research. O chefe de pesquisa Zach Pandl escreveu que a nova disposição da Strategy em vender bitcoin para preservar liquidez deve restaurar a confiança no arranjo financeiro da empresa e ajudar o BTC a formar um fundo mais durável. A avaliação bate com o entendimento apresentado por um estrategista da Schwab sobre a nova política de capital da companhia.
Do lado brasileiro, o debate tem peso adicional. A B3 lançou recentemente opções sobre futuros de BTC, ETH e SOL, ampliando o leque de proteção para investidores locais expostos ao ativo. Fundos de bitcoin listados em bolsa no Brasil também seguem correlacionados aos fluxos dos ETFs à vista americanos o mesmo vetor citado por Grachev como principal catalisador de curto prazo. O tema aparece no detalhamento da venda da Strategy publicado pelo BitNotícias.
Schiff prevê pressão vendedora prolongada
Nem todo mundo compra a narrativa otimista. Peter Schiff, crítico histórico do bitcoin, disse no podcast Crowded Market Report que investidores subestimam o tamanho da virada. Para ele, a Strategy sustentava o mercado como comprador dominante e agora migra para o lado da oferta. Schiff prevê ainda enfraquecimento nos fluxos dos ETFs à vista conforme a demanda especulativa arrefece, e alerta que passivos jurídicos futuros podem forçar novas vendas por parte da empresa.
