- Strategy vendeu 32 BTC por US$ 2,5 milhões entre 26 e 31 de maio
- Ação MSTR fechou em queda de 9,95% e acumula perda de 70% no ano
- STRC perdeu paridade de US$ 100 e trava captação para novas compras
A Strategy, antiga MicroStrategy, vendeu 32 BTC entre 26 e 31 de maio para honrar dividendos das ações preferenciais. Foi a primeira venda de bitcoin em 41 meses. O movimento, divulgado em um formulário 8-K à SEC, equivale a apenas 0,0038% das 843.706 unidades acumuladas pela empresa de Michael Saylor.
A reação foi desproporcional ao tamanho da operação. As ações MSTR despencaram 9,95% no pregão de terça-feira e acumulam queda próxima de 70% em 12 meses. O valor de mercado encolheu de mais de US$ 160 bilhões para cerca de US$ 48 bilhões. O bitcoin acompanhou o tombo e opera nesta quarta perto de US$ 62.349, ou aproximadamente R$ 317 mil, com baixa de 6,7% em 24 horas.
Venda de US$ 2,5 milhões derruba MSTR
Os US$ 2,5 milhões arrecadados serão usados para pagar dividendos do preferencial STRC. A posição total da companhia, avaliada em torno de US$ 63 bilhões, carrega mais de US$ 6 bilhões em prejuízo não realizado, considerando o custo médio de aquisição de US$ 75.702 por bitcoin.
Para o analista de ETFs Eric Balchunas, da Bloomberg, a narrativa de “reviravolta” exagera o porte da venda. Ele questionou, porém, por que Saylor toparia liquidar uma fração tão pequena sabendo do estrago reputacional. Balchunas comparou a queda do bitcoin ao Taper Tantrum de 2013 e disse que o ativo ficou dependente demais dos ETFs e do mito MSTR ambos deveriam ser “glacê do bolo, não o bolo inteiro”.
A simbologia pesa. Saylor consolidou sua marca afirmando que era preciso “vender um rim, se necessário, mas manter o bitcoin”. O advogado John Deaton ironizou no X, “Saylor ainda parece ter os dois rins”. A frase circulou em fóruns de traders e abasteceu o tom pessimista da sessão.
STRC perde paridade e trava capital
O analista Ran Neuner apontou um problema estrutural mais profundo. O preferencial STRC, que deveria operar ancorado em US$ 100, perdeu a paridade ao longo do mês. Sem o instrumento funcionando, Saylor fica sem o principal motor para levantar dinheiro novo e seguir comprando bitcoin no ritmo dos últimos trimestres.
“A festa do STRC acabou e o mercado sabe”, escreveu Neuner.
Ele projeta que o papel pode demorar a recuperar a paridade, o que limitaria emissões adicionais. A venda dos 32 BTC, nessa leitura, não é fato isolado é sintoma de pressão de caixa para honrar obrigações com acionistas preferenciais em meio à fraqueza do mercado.
O quadro contrasta com o movimento da Strive, que ampliou sua oferta em US$ 4,2 bilhões exatamente para comprar mais bitcoin enquanto a Strategy desova posição. A disputa entre tesourarias corporativas começa a se redesenhar com a queda dos preços.
ETFs perdem tração no spot
O cenário macro intensifica o estresse. Os ETFs de bitcoin à vista nos EUA encadeiam dias consecutivos de resgates, com o IBIT, da BlackRock, entre os mais pressionados. A combinação entre saída institucional e venda simbólica da maior tesouraria corporativa do mundo amplifica o sinal negativo, mesmo que o volume liquidado pela Strategy seja estatisticamente desprezível.
Para o investidor brasileiro, há uma camada adicional. O bitcoin cotado a R$ 317.320 reflete não só o tombo em dólar como o câmbio em R$ 5,07. Quem opera via FIIs cripto ou ETFs listados na B3 sente o duplo movimento queda do ativo e estabilidade relativa do real frente ao dólar nesta janela. Já as exchanges locais reportam aumento de volume em operações de venda nas últimas 48 horas, segundo dados de mesa de balcão consultados pelo mercado.
Detalhes da operação estão no arquivamento 8-K da Strategy junto à SEC. O documento confirma o destino dos recursos: pagamento de dividendos do STRC, sem qualquer menção a planos de retomada acelerada de compras no curto prazo.
