- Tether comprou toda a fatia do SoftBank na Twenty One Capital
- Empresa estreou com mais de 42 mil BTC e valor de US$ 3,6 bi
- Tether propõe fundir Twenty One com Strike e Elektron Energy
A Tether assumiu a totalidade das ações que o SoftBank mantinha na Twenty One Capital, veículo público de tesouraria em Bitcoin cofundado por Jack Mallers. A operação reduz para praticamente zero a participação externa no projeto e transforma a emissora da maior stablecoin do mundo na acionista dominante da companhia listada na NYSE.
O movimento veio acompanhado de uma proposta mais ambiciosa. Segundo a Bloomberg, a Tether pretende fundir a Twenty One com a Strike, processadora de pagamentos comandada pelo próprio Mallers, e com a Elektron Energy, braço de infraestrutura de mineração. O desenho cria um conglomerado verticalizado em torno do Bitcoin.
De tesouraria a holding integrada
A Twenty One foi anunciada em abril de 2025 a partir de uma combinação de negócios com a Cantor Equity Partners. Na largada, a companhia projetou abrir capital com mais de 42.000 BTC em caixa terceira maior tesouraria corporativa de Bitcoin do mundo na época. O valor implícito da empresa foi calculado em US$ 3,6 bilhões, com preço de referência de US$ 84.863,57 por BTC na média de dez dias.
A distribuição inicial de aportes previa 23.950 BTC da Tether, 10.500 BTC do SoftBank e cerca de 7.000 BTC da Bitfinex, todos convertidos em ações ao preço de US$ 10. Antes da listagem, a Tether ainda injetou 4.812 BTC adicionais, equivalentes a US$ 458,7 milhões, elevando o estoque para 36.312 BTC naquele estágio.
Com o SoftBank fora, o tripé original deixa de existir. A Twenty One passa a operar, na prática, como o braço público de Bitcoin da Tether uma estrutura que dá à emissora do USDT uma vitrine no mercado acionário americano sem precisar abrir capital diretamente. É uma jogada que lembra o caminho trilhado pela Strategy de Michael Saylor, mas com camadas adicionais de pagamentos e mineração embutidas no mesmo guarda-chuva corporativo.
O recado da fusão com Strike e Elektron
Juntar tesouraria, pagamentos e mineração sob a mesma holding muda a tese de investimento. A empresa combinaria fluxo operacional da Strike, mineração própria via Elektron e balanço corporativo lastreado diretamente em Bitcoin. É o oposto do modelo “compre BTC e segure” que dominou as tesourarias corporativas até aqui.
A própria Twenty One já havia sinalizado que mediria desempenho por métricas pouco convencionais, como Bitcoin Per Share e Bitcoin Return Rate, em lugar de lucro por ação tradicional. Na declaração de lançamento, o CEO Jack Mallers afirmou que “os mercados precisam de dinheiro confiável para medir valor e alocar capital com eficiência”. Paolo Ardoino, CEO da Tether, reforçou que o foco seria “acumulação em vez de especulação”.
Leitura para o investidor brasileiro
Para o mercado local, a consolidação tem dois efeitos práticos. O primeiro é de demanda estrutural, cada novo BTC que entra na tesouraria da Twenty One é um BTC fora da oferta circulante o que tende a apertar o lado vendedor em correções como a que levou o ativo a testar US$ 76 mil nas últimas sessões.
O segundo é regulatório. A aproximação do USDT com empresas listadas na NYSE amplia exposição regulatória da Tether perante autoridades americanas e europeias. No Brasil, mudanças na governança da Tether afetam diretamente a liquidez do par USDT/BRL nas exchanges locais.
A Twenty One nasceu desenhada como contraponto público à tese institucional de Bitcoin conduzida por gestoras tradicionais. Com a saída do SoftBank e a entrada cheia da Tether, o projeto se afasta do modelo de consórcio e assume identidade própria a de um conglomerado nativo em Bitcoin, controlado pela maior emissora de dólar digital do planeta. Detalhes do plano constam no canal oficial de comunicações da Tether.
