Tron passa Solana e chega a 4,35 milhões de usuários diários com USDT

  • Tron registra 4,35 milhões de endereços ativos diários e ultrapassa Solana
  • USDT na rede passa de US$ 75 bilhões e responde por metade do supply global
  • Volume diário de transferências de USDT no Tron chega perto de US$ 20 bilhões

A rede tron assumiu a liderança entre as Layer-1 em uso real. Segundo dados da plataforma Artemis, o protocolo atingiu cerca de 4,35 milhões de endereços ativos em uma janela recente de 24 horas, superando a Solana no indicador que mede quantas carteiras únicas interagem com a rede por dia.

O motor por trás do salto não é memecoin nem NFT. É stablecoin. Mais especificamente, o USDT emitido pela Tether, que encontrou no Tron sua principal trilha de circulação global, sobretudo em mercados emergentes onde transferências baratas são essencial — não opcional.

O tamanho da operação

Os números acumulados ajudam a dimensionar o fenômeno. Desde o lançamento da mainnet em 2018, o Tron contabiliza 383 milhões de contas criadas e 14,1 bilhões de transações processadas. No mesmo recorte diário citado pela Artemis, foram quase 13 milhões de transações em 24 horas.

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No lado das stablecoins, o supply de USDT hospedado no Tron ultrapassou US$ 75 bilhões em maio de 2025, fatia que representa mais da metade de todo o USDT em circulação no planeta. O volume médio diário de transferências do token na rede gira perto de US$ 20 bilhões, com mais de 1 milhão de carteiras únicas movimentando o ativo todos os dias.

Diferente de picos artificiais provocados por airdrops, a base de usuários tem oscilado de forma estável entre 3,8 e 4,35 milhões de endereços ativos. É uso recorrente, não evento pontual.

Por que o Tron virou trilho padrão da Tether

A escolha tem explicação prática. Taxas de transação no Tron ficam em frações de centavo, contra os valores historicamente elevados da Ethereum em períodos de congestionamento. Para um trabalhador filipino recebendo remessa do Oriente Médio, pagar US$ 15 de gas em uma transferência de US$ 200 inviabiliza o canal.

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Esse desenho também explica por que carteiras compatíveis com múltiplas redes vêm ganhando tração no varejo cripto, como mostramos em cobertura sobre stablecoins multi-chain. O usuário final escolhe a rede pelo custo, não pela marca.

O que isso significa para o investidor

O dado força uma releitura de como o mercado precifica blockchains de camada 1. A Solana mantém capitalização de mercado superior e maior apelo cultural, com o SOL cotado a US$ 83,65. Ainda assim, perde para o Tron na métrica que sustenta receita real: usuários ativos transacionando.

No Brasil, o impacto é direto. Boa parte do volume de USDT que circula em exchanges nacionais como Mercado Bitcoin, Foxbit e Binance Brasil chega via rede Tron, justamente pelo custo de saque. Investidor que opera arbitragem entre corretoras locais e internacionais conhece bem o atalho. A Receita Federal, inclusive, passou a exigir nas declarações da IN 1.888 a identificação da rede usada em cada transferência — e Tron aparece com peso desproporcional nesses formulários.

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Para quem detém TRX, a tese é convincente, mas tem ressalvas. O modelo de receita do Tron depende das taxas geradas por transferências de USDT, o que cria uma dependência inédita de um único emissor. Se a Tether decidir migrar parte da emissão para outra rede, o efeito sobre fundamentos da blockchain seria imediato.

Soma-se a isso o histórico de escrutínio regulatório sobre Justin Sun, fundador do projeto, e sobre a própria Tether, que enfrenta cobranças recorrentes da SEC e do Departamento de Justiça americano por transparência de reservas. Um movimento parecido com o caso da stablecoin europeia que perdeu paridade mostra como o ecossistema de moedas atreladas ao dólar ainda lida com risco operacional concreto. A liderança em usuários ativos é fato. A sustentabilidade dela depende de variáveis que estão fora do código.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.