- XLM rompe US$ 0,27 e quase dobra desde anúncio da parceria com a DTCC
- Stellar entra no top 20 com market cap de US$ 8,5 bilhões
- XRP fecha maio com perda de 6% e amplia distância para a BNB
O XLM, token nativo da rede Stellar, voltou a desafiar a maré negativa do mercado cripto neste domingo (1º). O ativo rompeu a marca de US$ 0,27 nas primeiras horas da manhã, consolidando um movimento de alta que já se aproxima de 100% desde o anúncio da parceria com a Depository Trust & Clearing Corporation (DTCC).
Dados de mercado mostram que o preço saltou de pouco menos de US$ 0,243 para US$ 0,271637 ainda na madrugada, antes de devolver parte do ganho e voltar à casa dos US$ 0,26. Em determinado momento, a valorização nas últimas 24 horas chegou a 14%. Mesmo após o recuo, o token preservou alta de cerca de 5% no dia desempenho raro num pregão em que o mercado agregado de criptomoedas recuava 1,4%.
XLM entre os poucos altcoins no azul
Entre os 20 maiores ativos digitais por capitalização, apenas três fecharam o período em terreno positivo, XLM, HYPE (+6,5%) e TRX (+1,1%). O contexto é de aversão generalizada a risco. O Bitcoin opera nos US$ 72.668, com queda de 1,6% em 24 horas, enquanto o Ethereum recua para US$ 1.982. Nesse ambiente, a resistência do Stellar chama atenção.
O rali devolveu a Stellar uma cadeira no top 20 global, com capitalização de mercado em US$ 8,5 bilhões. A volatilidade também cobrou o preço: cerca de US$ 4,6 milhões em apostas vendidas (shorts) e US$ 3,76 milhões em posições compradas (longs) foram liquidados na janela de 24 horas, segundo dados de derivativos.
O efeito DTCC, Cash App e Bermuda
O pano de fundo da disparada não é técnico. A DTCC, infraestrutura central de pós-negociação do sistema financeiro global, anunciou que vai tokenizar ativos sob custódia na blockchain da Stellar. A escolha representa uma vitória de peso para uma rede que vinha perdendo espaço na narrativa de tokenização de ativos do mundo real (RWA).
Soma-se a isso o lançamento de pagamentos em USDC sobre Stellar dentro do Cash App, que atende cerca de 60 milhões de usuários nos Estados Unidos. Em paralelo, Bermuda migrou seu sistema nacional de pagamentos para a rede um aval soberano que poucos projetos cripto conseguiram exibir até hoje. A combinação reforça a tese de utilidade real, justamente o que o mercado tem cobrado dos protocolos de camada 1 em 2026.
XRP perde tração e rivalidade volta ao radar
O contraste com o XRP, ativo da Ripple, é evidente. O token fechou maio com perda líquida de 6% e, desde 14 de maio, quando flertou com US$ 1,60, recuou cerca de 20%. No ano, o XRP acumula queda de 29% e é negociado hoje a US$ 1,30. A distância para a BNB, cotada em US$ 700, voltou a se alargar.
O movimento reacende o debate sobre qual rede levará o mercado de pagamentos transfronteiriços. Defensores do XRP usaram redes sociais para alertar contra rotação reativa de capital, lembrando que a Ripple construiu, ao longo de anos, uma camada institucional difícil de replicar. Analistas mais cautelosos concordam: a entrada da DTCC na Stellar é simbólica, mas não anula corredores já estabelecidos pela Ripple com bancos e remetentes. Vale acompanhar o comportamento das reservas de XRP em exchanges nas próximas semanas.
No Brasil, a discussão ganha outra camada com as novas exigências do Banco Central para prestadores de serviços de ativos virtuais. Redes voltadas a pagamentos e tokenização de RWA caso de Stellar tendem a ganhar relevância regulatória local, sobretudo na esteira da consolidação do BRL1 como referência em stablecoin nacional. O blog oficial da Stellar traz os detalhes técnicos da integração com a DTCC.
