- XRP toca US$ 1,14, menor nível em quatro meses
- Saques de baleias na Binance caem ao piso desde 2021
- Voto do CLARITY Act vira gatilho regulatório para o ativo
O XRP renovou a mínima de quatro meses nesta quarta-feira (4) ao tocar US$ 1,14, em um movimento que reforça o tom defensivo do mercado cripto global. No fechamento desta tarde, o ativo está negociado em US$ 1,17, equivalente a R$ 5,96, com queda de 1,6% em 24 horas. O quadro técnico e os indicadores on-chain combinam um cenário pouco favorável para compradores.
A leitura é do analista Sam Daodu, que mapeou o comportamento recente do token da Ripple. Segundo ele, o XRP opera abaixo das médias móveis de 7, 14 e 30 dias uma combinação que sinaliza tendência negativa em todos os horizontes curtos. Acima do preço, as médias exponenciais semanais formam um bloco de resistência entre US$ 1,50 e US$ 1,78, faixa que tem freado todas as tentativas de retomada nas últimas semanas.
Média de 200 dias está US$ 0,47 acima do preço atual
O dado técnico mais incômodo aparece no comparativo com a média móvel de 200 dias, referência clássica para separar regimes de alta e baixa. Daodu projeta esse nível em torno de US$ 1,64, cerca de 40% acima do preço corrente. Para o analista, recuperar essa marca exigiria uma escalada longa, pouco compatível com o fluxo atual.
Na trincheira oposta, o suporte imediato está justamente em US$ 1,14, o piso do dia. Abaixo dele, o próximo alvo técnico fica em US$ 1,11, mínima registrada em fevereiro. Caso a pressão vendedora se mantenha, o piso do Bollinger mensal aponta para a casa de US$ 1, valor que funcionaria como zona de exaustão.
Saques de baleias somam 978 milhões de XRP, piso desde 2021
O componente on-chain piora a leitura. Saques de grandes endereços na Binance interpretados como acumulação fora da exchange caíram para cerca de 978 milhões de XRP nos últimos 30 dias. É o menor volume desde 2021, segundo dados citados pelo analista com base em métricas da CryptoQuant.
O recuo importa porque, em ciclos anteriores, picos de retirada antecederam movimentos de alta. Com baleias paradas, falta o comprador estrutural que sustenta repiques. A acumulação de grandes carteiras também estagnou no período, indicando que os endereços com maior poder de fogo não estão aproveitando os preços deprimidos para reforçar posição.
Voto do CLARITY Act vira gatilho regulatório antes do recesso
Daodu coloca um gatilho regulatório no radar, a votação do CLARITY Act em plenário antes do recesso de agosto no Congresso americano. A lei pretende dividir competências entre SEC e CFTC sobre ativos digitais e tem peso desproporcional para o XRP, dado o histórico judicial da Ripple com a SEC. Sem o voto, a frustração tende a se somar à pressão macro.
Para o investidor brasileiro, o quadro tem leitura prática. A Ripple ampliou recentemente sua presença em Washington para influenciar o desenho regulatório nos EUA, movimento que já noticiamos em detalhe. No mercado local, exchanges nacionais continuam listando o XRP como um dos ativos de maior giro entre altcoins, e a nova exigência de auditoria do Banco Central deve aumentar a transparência sobre fluxos em reais.
Há ainda um contraponto institucional. A Grayscale projeta que ETFs spot de XRP, caso aprovados, poderiam absorver até 6% da oferta circulante. Essa demanda potencial, no entanto, depende justamente da clareza regulatória que o CLARITY Act pretende oferecer, fechando o ciclo entre técnica, on-chain e política.
Queda do XRP acompanha tombo de Bitcoin e Solana
O analista pondera que o tombo do XRP não tem origem em fundamentos próprios. O ativo foi arrastado pelo movimento amplo do mercado, com o Bitcoin rodando perto de US$ 64 mil e o Solana em US$ 68, ambos com perdas de mais de 2% em 24 horas. A próxima direção do XRP depende mais do humor agregado do mercado do que de qualquer catalisador isolado da Ripple.
