- 41,5% do supply em circulação do XRP está no prejuízo
- Taxas no XRP Ledger caíram de 5.900 para 500 XRP por dia
- Razão lucro/prejuízo desabou para 0,38 em junho de 2026
O XRP entrou em um ciclo on-chain que praticamente exclui a possibilidade de reversão rápida. É o que mostra o relatório mais recente da Glassnode, divulgado nesta semana, com dados consolidados de junho de 2026. O diagnóstico é direto, o ativo paga a conta da euforia de 2025.
Segundo a empresa, a razão entre lucros e prejuízos realizados (90D-SMA) despencou para 0,38. Em linguagem prática, para cada dólar de prejuízo realizado, há apenas 38 centavos de lucro sendo embolsado por quem vende. Um ano atrás, no auge do rali que levou o token a renovar máximas plurianuais, essa relação era inversa: a tomada de lucro superava as vendas no prejuízo em 50 vezes.
26,5 bilhões de XRP submersos no preço atual
O dado mais incômodo do levantamento é estrutural. 41,5% de todo o XRP em circulação cerca de 26,5 bilhões de tokens está hoje em prejuízo. A fatia de endereços lucrativos encolheu para 58,5%. Com o token cotado a US$ 1,13 e queda de 4,1% nas últimas 24 horas, o overhang de posições vendedoras cria um teto natural para qualquer tentativa de recuperação.
A leitura técnica é simples, cada repique de preço encontra investidores que entraram no topo dispostos a sair no zero a zero. Esse comportamento é típico de fases de capitulação prolongada e foi observado em ciclos anteriores do próprio Bitcoin, quando a métrica de supply em prejuízo se aproximou de patamares semelhantes antes de marcar fundos definitivos. A diferença é que, no caso do XRP, o lado da demanda não está se reconstruindo.
Taxas no XRPL despencam 91,5% em 16 meses
O outro pilar do relatório mostra um esvaziamento operacional acelerado da rede. O volume médio diário de taxas pagas (90D-SMA) no XRP Ledger caiu de 5.900 XRP em fevereiro de 2025 para apenas 500 XRP hoje. A retração é de 91,5%.
A Glassnode classifica o movimento como êxodo de usuários após o fim do ciclo especulativo, e não como otimização técnica do protocolo. Sem atividade econômica genuína na rede, o preço perde o combustível fundamental: novos endereços, transações de valor e uso real do ledger.
O cenário contrasta com a narrativa institucional que a Ripple tenta sustentar via produtos como a stablecoin RLUSD, hoje dominante na liquidez do XRPL. Mesmo com esse esforço de tokenização e integração bancária, o uso orgânico medido pelas taxas indica que o ecossistema ainda não converteu pilotos em volume relevante. Os dados completos podem ser conferidos no painel de insights da Glassnode.
Exchanges brasileiras ainda concentram fluxo de varejo em XRP
No Brasil, o XRP segue entre os ativos mais negociados nas principais corretoras, atrás apenas de Bitcoin, Ethereum e stablecoins. A cotação atual coloca o token em torno de R$ 6,20 nas plataformas locais, considerando o câmbio do dia. Para o investidor doméstico, o quadro on-chain importa porque indica que repiques de curto prazo tendem a ser vendidos antes de se transformarem em tendência algo que mapas de liquidez recentes também sinalizaram, com zonas de absorção próximas de US$ 1.
O comportamento dialoga com uma tendência maior do mercado, o varejo encolheu para cerca de 70% do mercado cripto, segundo dados da Coinbase, e altcoins de narrativa fraca como o XRP sentem primeiro o efeito da retirada de capital especulativo. Sem entrada de novos compradores, o pressing vendedor citado pela Glassnode continua sendo o vetor dominante.
Holders de longo prazo que acumularam antes do rali de 2024 ainda permanecem no azul. Quem comprou na faixa entre US$ 2 e US$ 3 no último ano enfrenta o pior da equação descrita pela Glassnode e é justamente esse grupo que tende a definir o teto técnico das próximas tentativas de alta. Enquanto a relação lucro/prejuízo não voltar a ultrapassar 1,0, o cenário base segue sendo lateralização com viés negativo.