- XRP chegou a 5% do topo em julho de 2025 antes de cair 73%
- Supply em circulação dobrou para 63 bilhões desde o pico de 2018
- Protocolo de empréstimo da Ripple travado com 20% dos validadores
O XRP passou raspando pela máxima histórica em julho de 2025 e, desde então, colhe uma sequência de perdas que apagou dois terços do valor. A moeda da Ripple negocia em US$ 1,03, o equivalente a cerca de R$ 5,35 pelo câmbio atual, após despencar 73% em pouco mais de um ano.

O topo de US$ 3,84 foi cravado em 4 de janeiro de 2018 e permanece intocado há oito anos. A tentativa mais recente de rompimento veio no meio de 2025, quando o token subiu até US$ 3,65 embalado pelo desfecho do processo movido pela SEC. Faltaram menos de 5% para o novo recorde e o combustível acabou ali.
Supply dobrou desde o pico de 2018
A matemática do XRP mudou. Quando o token atingiu US$ 3,84 em 2018, havia cerca de 34 bilhões de moedas em circulação. Hoje são 63 bilhões, quase o dobro. Isso significa que, para replicar o topo anterior, o market cap precisaria saltar dos atuais US$ 65 bilhões para US$ 242 bilhões patamar nunca antes alcançado pelo ativo.
A pressão de oferta não para. Todo primeiro dia do mês, a Ripple libera até 1 bilhão de XRP do escrow e retrava a maior parte. Ainda assim, algumas centenas de milhões de tokens caem no mercado mensalmente. Esse cronograma segue nos próximos nove anos, o que cria um vento contrário permanente para qualquer rally sustentado.
Ripple Lending preso em 20% dos validadores
A aposta da Ripple para travar oferta é o novo protocolo de empréstimos baseado nos padrões XLS-65 e XLS-66. A ideia é permitir que holders depositem XRP em cofres que financiam empréstimos de prazo fixo com retorno predefinido a primeira vez que o token renderia algo apenas por ficar parado.
O problema é a governança. A emenda foi aberta para votação dos validadores em janeiro e continua patinando com aproximadamente 20% de apoio, muito longe dos 80% exigidos pelo XRPL por duas semanas consecutivas. A auditoria da Halborn não encontrou falhas críticas e a RippleX oferece até US$ 200 mil em bug bounty. Falta apenas voto.
Enquanto isso, avanços regulatórios europeus não moveram o preço. A Ripple conquistou licença MiCA plena em Luxemburgo em julho e mantém charter condicional de banco nacional nos EUA. Mesmo assim, o XRP acumula queda de 43% em 2026. Para quem investe no Brasil, o contraste é evidente, o ETF de XRP registrou seu primeiro saque recente após um mês de entradas, sinalizando que o apetite institucional é morno.
CLARITY Act parado no Senado
O outro catalisador esperado também travou. O CLARITY Act, projeto que cravaria em lei a classificação do XRP como commodity, avança em ritmo lento. A oposição da senadora Elizabeth Warren bloqueou a votação no Senado e empurrou o cronograma para o segundo semestre. Sem essa definição legal, investidores institucionais americanos preferem esperar antes de montar posição relevante.
Os números dos ETFs à vista confirmam a cautela. Os fundos acumulam apenas 978 milhões de XRP após nove meses de operação, menos de 2% do supply. O fluxo total ficou em US$ 1,51 bilhão, distante dos US$ 4 bilhões anuais que analistas consideram necessários para pressionar o preço para cima. A Grayscale, inclusive, vendeu 103 milhões de tokens no prejuízo, gesto que reforça a leitura defensiva das mesas.
Halving de 2028 vira tese central
Historicamente, o Bitcoin marca topo entre 12 e 18 meses após cada halving. Isso projeta o próximo pico do ciclo para algum momento de 2029, cenário em que o XRP tende a ser puxado junto. Um rompimento acima de US$ 3,84 exigiria três gatilhos simultâneos, aprovação do protocolo de empréstimo, sanção do CLARITY Act e ETFs captando volume relevante. No cenário base, o token ficaria entre US$ 2,50 e US$ 3,50 no pico de 2029 abaixo do topo. No pessimista, seguiria o Bitcoin até algum ponto acima de US$ 2 e recuaria para US$ 1 no ciclo seguinte. A conta ficou mais difícil desde 2018, e nenhum dos gatilhos apresentou avanço concreto até agora.



