Zcash dispara 73% no mês e padrão gráfico aponta US$ 1.091

  • Padrão de xícara e alça em ZEC projeta alvo em US$ 1.091
  • Zcash sobe 73% no mês enquanto cripto avança apenas 0,2%
  • Arthur Hayes vê ZEC com 10% do market cap do Bitcoin

A criptomoeda de privacidade Zcash (ZEC) destoa do restante do mercado e desenha em seu gráfico uma das figuras técnicas mais clássicas da análise de preços. O ativo subiu 18% em três dias e acumula alta de 73% em um mês, enquanto o mercado cripto como um todo praticamente patinou no mesmo período.

O movimento chamou atenção porque ocorre num momento em que Bitcoin e Ethereum mostram cansaço. Para parte dos traders, é o suficiente para afirmar que o zcash está "rodando seu próprio bull market" — descolado dos vetores macro que pressionam as principais altcoins.

Padrão gráfico mira US$ 1.091

No gráfico de três dias, o par ZEC/USD formou uma cup and handle (xícara com alça), estrutura composta por uma recuperação arredondada seguida de consolidação em leve inclinação descendente. Operadores costumam ler esse desenho como sinal de força quando o preço rompe o pescoço da figura.

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O neckline está entre US$ 625 e US$ 650. Caso o ativo feche acima dessa região, o alvo técnico projetado é de US$ 1.091 até junho ou julho — um avanço de aproximadamente 88% sobre o preço atual. A meta coincide com a extensão de Fibonacci de 1,618, traçada entre o topo em US$ 745 e o fundo em US$ 185.

O alinhamento entre dois métodos independentes — projeção da xícara e Fibonacci — costuma reforçar a leitura para o lado comprador. Ainda assim, sem rompimento confirmado, o cenário permanece em estágio de "alça", fase em que correções pontuais são esperadas antes do gatilho.

Privacidade volta à pauta

O salto da ZEC não acontece isolado. Monero (XMR) e Dash (DASH), outros dois tokens centrados em anonimato, também subiram nas últimas semanas. A categoria inteira de privacy coins virou um dos poucos setores verdes do mercado, contra um avanço de apenas 0,2% da capitalização total de cripto em 30 dias.

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A retomada do interesse pela privacidade financeira coincide com um período em que governos endurecem a vigilância sobre carteiras e exchanges. Nos Estados Unidos, processos contra desenvolvedores de mixers e debates em torno do CLARITY Act reabriram a discussão sobre limites entre transparência e direito à confidencialidade — um terreno em que a ZEC opera tecnicamente desde 2016 com sua tecnologia zk-SNARKs.

Hayes, Multicoin e Robinhood sustentam a tese

O cofundador da BitMEX, Arthur Hayes, jogou lenha na fogueira ao afirmar, em publicação no X, que a capitalização de mercado de Zcash poderia atingir 10% da do Bitcoin. Considerando o supply circulante de cerca de 16,68 milhões de tokens, isso implicaria preço de US$ 9.225 por ZEC. Desde o comentário, o par ZEC/BTC avançou aproximadamente 20,5%.

O sentimento já vinha melhorando antes da declaração. Em maio, a gestora Multicoin Capital revelou exposição ao token, e a Robinhood listou o ativo na plataforma — adicionando porta de entrada para investidores de varejo nos EUA. A combinação entre fluxo institucional pontual e ampliação de acesso ajuda a explicar por que a ZEC se desconectou da correlação habitual com Bitcoin.

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O que isso significa para o investidor brasileiro

No Brasil, a oferta de privacy coins em exchanges locais é restrita. Mercado Bitcoin e Foxbit não listam Zcash, e parte das corretoras internacionais que operam no país também evita o ativo por razões de conformidade com a Lei 14.478/2022 e com regras antilavagem do Coaf. O investidor que quiser exposição direta acaba recorrendo a plataformas estrangeiras como Kraken ou Gate.io.

A assimetria regulatória explica por que o movimento de ZEC raramente reverbera nos preços em real. Mesmo assim, a tese é relevante: episódios anteriores de alta concentrada em privacy coins — como em 2020 e 2021 — costumaram preceder rotação para outros segmentos de altcoins com narrativas específicas, padrão que se repetiu recentemente com XRP e Solana. Para quem acompanha rotação setorial, a performance da ZEC funciona como termômetro de apetite por narrativas fora do eixo BTC-ETH.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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