CPI dos EUA pode levar Bitcoin a testar US$ 70 mil

  • Fed de Cleveland projeta CPI anual de abril em 3,56%, acima dos 3,3% de março
  • Cunha ascendente no gráfico diário do BTC aponta queda técnica até US$ 70 mil
  • Strategy pausou compras de Bitcoin e enfraqueceu sustentação institucional do preço

O Bitcoin (BTC) chega à próxima leitura de inflação dos Estados Unidos com sustentação mais frágil do que tinha nos dois últimos relatórios do CPI. A combinação entre projeções de inflação mais elevada, padrão gráfico de reversão e arrefecimento da demanda institucional eleva o risco de uma correção até a região de US$ 70 mil.

O nowcast do Federal Reserve de Cleveland estima que o CPI cheio de abril suba para 3,56% em base anual, ante 3,3% em março. Já a variação mensal deve desacelerar para 0,45%, contra 0,9% no mês anterior. O núcleo do índice é projetado em 2,56% no ano e 0,21% no mês. O dado oficial sai em 12 de maio.

Assim, o quadro permanece misto. Mesmo com a desaceleração mensal, o avanço do indicador anual reforça a leitura de que o Fed tem pouco espaço para cortar juros no curto prazo. Para ativos de risco, é um cenário desconfortável. Bitcoin, ações de tecnologia e operações alavancadas costumam sentir o impacto direto desse aperto nas expectativas.

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Suporte institucional perde força

Nas duas leituras anteriores do CPI, o Bitcoin reagiu melhor do que o esperado. Após o relatório de março, o ativo subiu mais de 15% mesmo com a inflação avançando de 2,4% para 3,3% na base anual. Além disso, a explicação está na demanda institucional: compradores corporativos absorveram mais de 500% da nova oferta minerada no período, segundo dados da Capriole Investments.

A Strategy, empresa de Michael Saylor, foi protagonista dessa absorção. Agora, esse pilar está ausente. A companhia interrompeu as aquisições nas últimas semanas, e sua ação preferencial STRC segue negociada abaixo do valor de paridade de US$ 100. Com o papel descontado, emitir novas ações se torna ineficiente — o que limita a capacidade da Strategy de levantar capital fresco para comprar mais BTC.

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Cunha ascendente mira US$ 70 mil

Assim, o cenário técnico reforça o tom defensivo. No gráfico diário, o BTC desenha uma cunha ascendente, padrão tradicionalmente associado a reversões baixistas. A figura se completa quando o preço perde a linha de tendência inferior e tende a recuar uma distância equivalente à altura máxima da estrutura.

Além disso, o ponto de convergência das duas linhas fica próximo de US$ 84 mil, região que coincide com a média móvel exponencial de 200 dias. Um rompimento para baixo abriria espaço para a queda projetada até a faixa de US$ 70 mil. Já uma superação consistente do ápice invalidaria o desenho e colocaria o intervalo entre US$ 90 mil e US$ 95 mil como próximo objetivo de alta.

Assim, o analista Killa, em publicação no X, aponta a abertura semanal em US$ 78,6 mil como nível-chave. Perda desse patamar, segundo ele, abre caminho para US$ 74 mil a US$ 75 mil. O operador também observa que players maiores costumam reduzir exposição às vésperas de divulgações de CPI, padrão recorrente ao longo de 2025.

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O que observar no curto prazo

O contrato de juros futuros monitorado pela CME mostra probabilidades cada vez mais divididas para a reunião de dezembro do Fed. Assim, caso CPI venha acima da projeção de Cleveland, o mercado tende a recalibrar apostas para um ciclo de cortes ainda mais lento.

Além disso, esse ajuste costuma vir acompanhado de fortalecimento do dólar — fator que pressiona simultaneamente Bitcoin e ativos emergentes negociados em real.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
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