Blockchain chega aos carros e Paraná sai na frente com projeto inédito no Brasil

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  • 3.462 veículos já tokenizados no Paraná com blockchain
  • Meta chega a 1,5 milhão até o fim de 2026
  • Blockchain promete reduzir fraudes no mercado automotivo

O Governo do Paraná concluiu a primeira fase do Passaporte Veicular Digital e avançou na digitalização da frota com uso de blockchain. A iniciativa criou uma espécie de “RG digital do carro” ao transformar veículos em ativos digitais únicos por meio da tokenização. Na etapa inicial, o projeto já registrou 3.462 veículos, o que marca um dos primeiros testes em escala dessa tecnologia aplicada ao setor público no Brasil.

O piloto reuniu o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) e o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), com apoio da empresa Vetrii. Durante a execução, o Estado incluiu 1.101 veículos por meio de chamamento público realizado em fevereiro de 2026, com participação de proprietários de 128 cidades. Além disso, empresas privadas adicionaram outros 2.361 veículos ao sistema.

O projeto também ampliou a base de dados ao integrar informações de diferentes agentes do setor automotivo. Ao todo, 1.801 veículos passaram por enriquecimento de dados com registros vindos de montadoras, instituições financeiras e concessionárias. Essa etapa reforçou a proposta de criar um histórico mais completo e confiável para cada automóvel.

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Assim, empresas como Banco BV, Renault, General Motors, Geely, Zeekr, Mottu, Grupo Barigui e Grupo Valesul participaram da iniciativa. A presença dessas companhias ajudou a testar o modelo em diferentes contextos do mercado, desde financiamento até uso comercial e revenda.

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Blockchain na tokenização de veículos

O diretor-presidente do Detran-PR afirmou que o projeto muda a forma como o Estado organiza e compartilha informações veiculares. “O Paraná mais uma vez assume protagonismo na inovação pública. Validamos uma tecnologia que aumenta a segurança, a transparência e a confiança para toda a sociedade. Estamos transformando o veículo em um ativo digital confiável, com benefícios diretos para o cidadão”, declarou Roveda.

Além disso, o presidente do Tecpar destacou que a tecnologia garante rastreabilidade ao longo de toda a vida útil do veículo. “A utilização da blockchain garante a integridade e a rastreabilidade das informações. Essa iniciativa coloca o Paraná como referência nacional e internacional em inovação aplicada ao setor público”, afirmou Eduardo Marafon.

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Com o fim da fase piloto, o governo iniciou a expansão do projeto e estabeleceu novas metas. O Estado pretende tokenizar progressivamente toda a frota, com base em um novo acordo entre Detran-PR, Tecpar e Vetrii. A estratégia prevê que o sistema registre automaticamente os veículos sempre que ocorrerem eventos como transferência de propriedade, mudança de município ou atualização cadastral.

O plano projeta um ritmo de cerca de 180 mil veículos tokenizados por mês. Com isso, o Estado pode superar 2 milhões de registros por ano e alcançar a marca de 1,5 milhão de veículos tokenizados até o fim de 2026. O governo também informou que o serviço será gratuito para o cidadão.

RG digital dos carros

Na prática, cada veículo recebe um token único vinculado ao número do chassi. Esse registro funciona como uma identidade digital permanente e reúne dados desde a fabricação até o histórico de uso. O sistema pode incluir informações como revisões, quilometragem, financiamentos, seguros, ocorrências e transferências.

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Dessa forma, ao centralizar esses dados em uma estrutura imutável, o Estado busca reduzir fraudes recorrentes no mercado automotivo. Casos como adulteração de hodômetro e manipulação de registros tendem a se tornar mais difíceis. Além disso, a transparência nas negociações deve aumentar, o que pode impactar diretamente a confiança entre compradores e vendedores.

Assim, com essa iniciativa, o Paraná testa um novo modelo de gestão pública baseado em blockchain. O resultado do piloto indica que a tecnologia pode ganhar escala e transformar a forma como o país lida com registros veiculares nos próximos anos.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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